quarta-feira, 24 de julho de 2013

50 Tons de novo!


Emblemático das mudanças ocorrendo na nossa sociedade acerca da sexualidade, está o livro da E. L. James "Cinquenta Tons de Cinza", fenômeno editorial traduzido em 37 idiomas, com mais de trinta milhões de livros vendidos no mundo, só em língua inglesa.

Li um muito bom artigo, "O que Querem as Mulheres", na revista Época de julho de 2012, no qual a jornalista Nathalia Ziemkiewicz, então mantenedora do blog Sexpedia da mesma revista, desmonta a trama de sucesso desse livro.

Ela apresenta o livro como pornografia para donas de casa, porque donas de casa também precisam de sexo... e comenta: 
"O sucesso de Cinquenta Tons de Cinza sugere que há muito desejo represado entre a pia da cozinha e a mesa do escritório." 
E, realmente, essa revolução sexual silenciosa é reveladora da repressão na qual, durante séculos, a sexualidade humana foi enterrada viva, permanecendo oculta, velada, culposa, e vitimada por ser discriminada, perseguida e condenada.

E a autora continua dizendo: 
"Mostra, também, que as mulheres estão perdendo o constrangimento em usar pornografia para satisfazê-lo - ou alimentá-lo." 
E é o que assistimos ao ver as capas da trilogia se destacarem nas vitrines das livrarias e na Internet, mas sendo também vendidas em lojas de departamentos, mercados e até postos de gasolina.

Além dessa trilogia volumosa, vieram outras publicações na mesma linha, puxadas ou desenterradas pelo maremoto "50 Tons". A também trilogia "Crossfire", de Sylvia Day, está turbinando nas livrarias. "Para sempre sua", o terceiro da série, já figura entre os livros mais vendidos, e "A Vida Erótica de Catherine M.", da Francesa C. Millet, está esgotado na editora!
É claro que a recrudescência de literatura erótica vem acompanhando essa evolução da sexualidade que comento com louvor.

Longe de ser uma agressão libidinosa ou algum atentado ao pudor, a literatura erótica tem a particularidade de libertar a imaginação, desmistificar práticas e comportamentos, e até, diria, educar, além de provocar o leitor e favorecer a reflexão sobre sua própria sexualidade. Afinal, em qualquer área do conhecimento, e a sexualidade não deixa de ser uma delas, a experiência ou as pesquisas dos outros sempre trazem alguma novidade e um enriquecimento do nosso próprio saber.
A respeito, uma matéria do Ivan Martins, da revista Época, faz uma análise pertinente num paralelo que ele faz entre literatura erótica e imagens pornográficas.

Além disso, creio que a literatura, seja erótica ou não, é sempre lúdica, um meio de evasão e de encanto que nos permite adentrar o universo do imaginário, proporcionando sempre prazerosos momentos recreativos. Afinal, o cérebro é a zona mais erógena do nosso corpo... Em todas as boas livrarias pode-se encontrar livros do gênero. É para usar e abusar... 

Boas leituras!

sábado, 20 de julho de 2013

Do casamento à sexualidade (6)

Finalmente casar ou não casar será esta a questão?

Claro que não!
Decidir de compartilhar sua vida, portanto sua individualidade, sua privacidade, sua intimidade com outra pessoa é um ato muito valioso na nossa vida. A tal ponto que acho entender quem separa várias vezes para poder casar de novo... :-D

A decisão de casar é um ato belo em si, e não é de se admirar que a felicidade lhe seja associada. De fato, ele é precursor de um período de grande felicidade para quem souber lidar com as mudanças que necessariamente vão ocorrer para ambos os parceiros no decorrer dessa longa viagem. No entanto, não faço a apologia do casamento que engessa o relacionamento, a abnegação total e incondicional ao casamento, a ditadura do casamento, mas sim da união que preserva a identidade, a personalidade e a liberdade de cada um.

Mas primeiro, é preciso frisar que "casamento" não significa necessariamente o falado "papel passado", e sim todas as situações em que duas pessoas resolvem juntar suas vidas pessoais, íntimas e sexuais num espaço comum.
Pois na verdade, pouca diferença faz o fato do papel passado ou não, o importante sendo a convivência diária com suas exigências e suas obrigações.
Portanto, consideremos "casamento" todas as situações em que duas pessoas moram juntas e compartilham suas vidas, física e emocionalmente, em busca da felicidade a dois.

No entanto, nada contra o casamento "formal" tampouco, embora creia que, psicologicamente, este acabe frequentemente "pesando" sobre o casal (ou um dos seus membros). Mas aí também, é o despreparo do próprio casal que influencia na importância desse peso. Porém, quando ocorrem desentendimentos, os casados formais ficam presos às normas, e quando digo normas, falo em normas jurídicas, que não te permitem desfazer o casamento por simples vontade própria, mas sim se submetendo ao bem querer da Justiça, o que nem sempre é simples e sem dor.

Mas tampouco quer dizer que não deva haver compromisso nenhum. Embora o fato de ter um "compromisso" a meu ver já altera a relação, o fato de não ter pode resultar em leviandade, o que não é correto tampouco. Tudo é uma questão de maturidade. Maturidade de ambos os parceiros para atingir a maturidade do relacionamento. Por isso, precisa-se achar o "justo equilíbrio"... mas qual será?

E é mais uma coisa para inventar! O que é difícil, claro, nesse mundo contemporâneo tão pobre em criatividade, repisando sempre o passado ao mesmo tempo que o critica e o rejeita. Seria possível ser feliz sem sufocar o outro com o nosso amor? Lhe deixar sua liberdade sem se roer de ciúmes? Preservar a personalidade do nosso companheiro(a) que foi aquela que nos seduziu um dia? 
Esse me parece ser o desafio.

Impossível? Utopia? Heresia?

Tenho certeza que a resposta deveria ser sim se queremos um dia ser realmente felizes. Acho que existe, sim, maneiras de modificar radicalmente as formas de se relacionar e observei um número bastante razoável de casos para sustentar esta afirmação.

E é aí que a questão do casamento "de papel passado" volta a tona. Infelizmente, esse casamento jurídica, administrativa e socialmente formal traz consigo uma carga pesada de valores tradicionais para o imaginário, valores que são dificilmente compatíveis com essa desejável evolução. Até os mais jovens ficam engessados com seu significado.

Acredito pessoalmente que o engajamento espontâneo, verbal, independente de amarras legais que acabam transformando as núpcias em prisão, pode ser o caminho mais seguro para se arriscar nessa jornada complexa que é a vida a dois.
No entanto, volto a dizer, precisa-se de muita maturidade!

Lembro da época em que, na escola, estava se implantando a então chamada "autodisciplina". Dois representantes dos alunos eram eleitos em cada turma com o cargo de assegurar a comunicação entre os alunos e o corpo docente, no intuito de se chegar a uma relação harmoniosa e produtiva, sem por isso ter de recorrer ao autoritarismo. 
Pois bem. Foi um fracasso!
Logo, os professores voltaram a punir, não tendo paciência para esperar o amadurecimento dos alunos que, por sua vez, se sentiam mais seguros com a imposição de limites e a sombra do castigo.
Não é de se admirar que a religião faça tanto sucesso.
E vemos que na idade adulta, não é muito mais fácil e muitos se sentem perdidos na permissividade democrática, sonhando até com a volta à ditadura. 
Mas bom, o assunto não é política!

Portanto, precisa-se de muita maturidade de ambos os parceiros para que esse tipo de relação possa desabrochar com alguma chance de sucesso.
Utopia? Creio que não. Eu diria evolução. A evolução que está em curso, a própria evolução da humanidade.

Como já coloquei em outro post, a sexualidade também evolui e amadurece, e é esse amadurecimento que permite, cada vez mais, a livre expressão da sua individualidade diante da relação sexual. Acredito que pelo fato da sexualidade ser tão importante para o ser humano, ela se beneficia de uma atenção e um interesse maior de cada indivíduo para seu livre controle.
Daí, a meu ver, a explosão do assunto "sexo" em todos os meios de comunicação, em produtos de todos os tipos, a sexualidade tornada cada vez mais pornográfica, enfim, os excessos comuns aos primeiros momentos da liberdade dada sem a devida maturidade.

No entanto, caminhos existem, e não é a volta da repressão que facilitará a evolução da humanidade. Já sabemos do período de obscurantismo que foram os mil anos da Idade Média e o mal que isso causou à humanidade para sua evolução. Espero que não recomecemos.

Por outra parte, acredito que a sexualidade desempenha um papel relevante na psicologia humana e que estamos vivendo um momento de mutação graças a esse desabrochar. Entretanto, não se deve deixar correr tudo solto por aí e um mínimo de maturidade precisa eclodir para que todos possamos lidar com a nossa própria humanidade. E esse desafio é um motivo pelo qual resolvi me embrenhar no assunto, tentando analisar as diversas facetas de uma situação que já está em curso e publicando essas reflexões para serem compartilhadas, discutidas, confrontadas e defendidas, no intuito de contribuir no sentido dessa evolução.

sábado, 27 de abril de 2013

Sexo virtual


- O que está te preocupando passarinho? – pergunta Pierre com esse tom crianção que a encanta. Além disso, ela adora quando a chama de “passarinho”, um apelido charmoso que lhe deu um dia, explicando que era porque ela parecia feliz de ser livre, livre como um passarinho.
- Não sei, dormi mal. Tive pesadelos.
- Hum! Tá explicado então – responde sorrindo – Vou te contar alguma coisa que vai te divertir um pouco. Tens um momentinho?
- Sim, acabei de fazer um chá. Vou me sentar confortavelmente. – diz rindo.

Séverine se aconchega no sofá, pois sabe que, às vezes, essas conversas com Pierre duram bastante tempo.

- Pronto! Pode falar!
- Ótimo! Então, é o seguinte! – começa ele – Ontem à noite, liguei, mas não consegui falar contigo e, de repente, senti vontade de dar uma chegadinha naquele site que conheces – diz ele sorrindo.

Sim, ela sabe muito bem de que está falando. Se trata daquele site de swing, encontros sexuais, exibicionismo e outras atividades afins. Pierre é adepto dessas conversas quentes, às vezes requintadas, outras simplesmente grosseiras. Ele se diverte frequentemente assim, observando os comportamentos das pessoas, às vezes participando ativamente. Ele até a fez participar também. Sorri pensando nisso. Sim, ela sabe mesmo do que está falando, e até que recomeçaria...

- Sim, sei... E foi bastante divertido?
- Então, imagina que encontrei aquela minha amiga, Yasmin, sabes, a fotógrafa.
- Sim, sim, lembro – responde com uma pontinha de ciúmes na voz.

Yasmine é uma fotógrafa publicitária que realizou lindos estudos fotográficos na ocasião de viagens na Índia, Nepal e Colômbia. Ela tem uma grande sensibilidade e sabe captar os olhares e as expressões que comunicam suas sensações. Pierre simpatizou com ela, por ser sensível a sua arte e também porque é uma pessoa bastante incomum, além de culta e inteligente. E, como ele, é uma exibicionista apaixonada!

- Então, ontem à noite a vi conectada e passei uma mensagem dando ‘oi’ para ela, assim ‘en passant’, e de repente me responde: “Estou excitada hoje!”. Não lembro o que respondi, exatamente, mas ela continuou: “Estou com meu vibro, queres?” Eu, claro, não iria decepcioná-la e respondo que estou sempre com vontade. Imagina!

Pierre está contando alegre, animado, e dá para perceber que se divertira bastante.

- E ela me pergunta: “Já me viu?” Respondo que não, apenas em fotos, e acrescento “Por enquanto!”, quem sabe, né?... – continua ele, rindo da própria safadeza – Naquele momento, eu já estava super excitado, pode imaginar.

 Séverine imagina muito bem, sim. Ela conhece Pierre e já o viu várias vezes entrar em conversas do gênero. E lembra de uma vez em que estava sentado na frente do computador enquanto ela lia um livro. Chovia, e tinham ficado o dia inteiro juntos. Já é o início da noite quando Pierre a chama e pede para ficar aí com ele, acompanhando a conversa.

Pierre diz:
também, como te desejo...
te sinto com um tanto de exibicionismo...
com o desejo de olhar para o outro também...
Safada08 diz:
ai ai...
já me sinto com vontade...

Debruçada sobre ombro dele, Sé olha a tela desfilando. As mensagens aparecem e se sucedem, tornando-se cada vez mais explícitas e fogosas, e ela pode perceber muito bem as sensações que provocam nela esses comentários. Nem precisa escrever, sua imaginação vagueia ao ritmo das fantasias sexuais que surgem na tela e, pouco a pouco, ela começa a se interessar pela brincadeira, sentindo o desejo tomar conta dela.

Pierre diz:
retiro tua blusa e ficas com os seios nus,
o corpo colado ao meu busto...
Safada08 diz:
delicia isso
Pierre diz:
está morno...
no escurinho da noite...
apenas a luz da lua
Safada08 diz:
nossa
isso me deixa louca só de pensar...

Absorvida pela leitura, ela começa a massagear os ombros de Pierre que aprecia muito as mãos suaves e firmes que mexem com seus músculos, e ele relaxa sob a pressão dos dedos hábeis de Séverine que percebe claramente o efeito produzido e continua com prazer e delicadeza.

Pierre diz:
e te deixam nua
entre esses dois homens
que te reverenciam
te acariciando
te tocando
te desejando
Safada08 diz:
huuummmmm
Pierre diz:
e sussurro no teu ouvido
"te desejo, agora!"
Febris, tuas mãos se enfiam em busca do meu sexo já ereto
me desaboatas e deixas cair minha roupa...
liberando meu sexo duro e quente
Safada08 diz:
nossa
me deu até frio na espinha de imaginar isso...
Pierre diz:
nas tuas costas, sentes o outro corpo colado no seu,
 inteiramente nu também...
Safada08 diz:
Nossa, que tesão está me deixando...

Naquele momento, Pierre se deixa invadir pela doce sensação de tesão que o invade, tanto devido às conversas super aquecidas que se desenrolam online, como pelas carícias super suaves de Séverine que sente repentinamente o desejo apossar-se dela arrepiando seu corpo inteiro. Percebendo aonde sua amiga pretendia chegar, Pierre resolve ligar a webcam. Uma pequena janela se abre na tela, onde fica exibido seu busto e as mãos de Séverine que correm por cima da sua pele. Olhando a webcam ligada, Séverine dá uma mordida no pescoço dele.

- Tu és um canalha! – cochicha no ouvido dele, sem parar suas carícias. E ela começa a lhe tirar a camisa, e despi-lo aos poucos.

O resultado não demora e, rapidamente, as mensagens começam a chegar de todos os cantos do mundo, saudando a exibição e incentivando-os a prosseguir. Excitada, Séverine continua de acariciar e despi-lo enquanto Pierre fica em comunicação com aquela que, também na frente da sua webcam, está queimando de desejo, tanto pelas palavras que lhe fazem subir a tensão que pelas imagens que vê agora.

Pierre diz:
tua mão agarra meu sexo enquanto minhas mãos te deixam descer
e vais enfiando meu sexo em ti
rebolando um pouco para deixá-lo entrar profundamente...
Safada08 diz:
hummmmm
que loucura isso!!!!!!!

Pierre está nu e Séverine o acaricia. Suas mãos correm sobre seu corpo inteiro, se demoram um instante sobre o membro ereto, e seguem seu curso por cima da pele quente e nua. Está muito excitada também, e sente um desejo ardente inundá-la de repente. Está com uma saia de jeans curtinha e uma blusa de algodão branca. Sua minúscula calcinha também é branca. É uma calcinha de tipo ‘fio dental’ na realidade, o tipo de lingerie que ela aprecia muito, principalmente quando veste minissaia. Ela também tem e cultiva seu lado exibicionista!

Decidida, e não aguentando mais, Séverine vem na frente de Pierre, que continua sentado defronte o teclado, e, a saia levantada até o quadril, ela afasta o ínfimo pedaço de tecido e se escarrancha em cima do pau ereto que sente entrar firmemente nela. Ao sentir a gostosura da penetração, ela solta um longo gemido de satisfação e começa a mexer suavemente seu corpo empalado no sexo do seu amante.

A essa altura, as mensagens estão chovendo, mas apenas percebem o som produzido pelo computador: nem os leem mais! Enquanto o corpo de Séverine ondula, provocando neles deliciosas sensações, Pierre lhe acaricia as coxas, o busto, os seios, acaricia sua barriga e seu quadril. Ele desabotoa assim sua blusa, e a retira, até ela se encontrar sentada no colo dele, o busto nu e a saia arregaçada, deixando perceber o pequeno triângulo branco da sua calcinha entre suas coxas.

Séverine está ciente de que está na frente da webcam, com dezenas de pessoas conectadas e olhando, e ela exibe seus seios com arrogância impudica, enquanto ela mesma se dá prazer cavalgando por cima de Pierre que lhe segura o quadril com força. Sabe perfeitamente que ela está fodendo online, ao vivo, câmera ligada, e sentir todas essas pessoas que, do outro lado da tela e em qualquer lugar do mundo, se excitam ao vê-los a deixa enfurecida de tesão. Porém, no auge da ação, acaba nem pensando mais naquilo tão está concentrada nas carícias que dá e recebe, mexendo seu quadril com o maior frenesi enquanto Pierre acaricia seus seios e seu corpo.

domingo, 14 de abril de 2013

A Masturbação


"Não despreze a masturbação, 
é fazer sexo com a pessoa que você mais ama."

Não lembro de onde saiu esta frase, mas achei tão pertinente que ficou gravada na minha memória. E de tudo que li e ouvi sobre o assunto - a masturbação -  nada desmentiu essa afirmação tão descomplexada.

Com efeito, a masturbação tão reprimida até pouco tempo atrás - e ainda continuando, certamente, como todos os assuntos sexuais que levam "somente" a busca do prazer físico, e nem apenas físico aliás, em oposição aos propósitos "nobres" que levam à procriação - é até recomendada por vários motivos, inclusive relacionados com a saúde física e mental.
Inúmeros são os médicos, psicólogos, sexólogos, e afins que recomendam a masturbação no motivo de "conhecer a si mesmo" no plano físico, uma forma de aprender o próprio corpo e as formas de exitá-lo, podendo até ser uma exploração a dois. Basta olhar pelas capas da revistas semanalmente para perceber como a sexualidade tem espaço cativo na mídia e, dentre as modalidades comentadas, a masturbação.

Talvez, também, se ela adquire, hoje, um lugar de destaque na expressão da sexualidade, é por não envolver seus praticantes em atos "ilícitos" como a busca de outro parceiro, a troca, a transa coletiva, a aceitação da sua bissexualidade, entre outras práticas que esbarram ainda com ampla condenação e encobertas da maior hipocrisia.

Pois a masturbação, envolvendo os chamados "brinquedos", de todas as cores e todos os formatos, cada vez mais sofisticados com alta tecnologia, design e materiais, busca, com requinte, proporcionar aos seus utilizadores os mais deliciosos momentos de prazer. 

Ela é atividade frequentemente associada ao "prazer solitário", mas aparece como prática a dois, tanto entre hétero como homosexuais. Ela é também um complemento valioso na relação de casal quando um não está "em forma" para encarar uma transa de verdade e que o parceiro sente a necessidade de se sentir sacudido por um orgasmo gostoso.

- "Masturbe-se que quero te olhar gozando."

Nunca ouviu esta frase? Nunca disse ela?
Então, não sabe ainda o quanto vai se deleitar com esta experiência.
Ou não! 
Mas vale a pena tentar, pois, como alguns dizem, entre quatro paredes vale tudo!

A masturbação é também o elemento chave do sexo virtual que, de acordo com a psicóloga Regina Navarro Lins no seu blog, numa amostragem de 1695 pessoas, 70% confessam ter praticado pelo menos uma vez. 

E no sexo virtual também, a masturbação não é um ato solitário mas sim uma emoção vivida a dois. A Regina cita o professor Márcio Souza Gonçalves que esclarece num artigo: "A ausência do encontro face a face e de contato físico não implica a exclusão radical do corpo: ainda que não tendo acesso ao corpo do parceiro, cada um dos envolvidos tem um corpo que sente, sofre, se emociona e goza." 

E por mais que o sexo virtual não substitua o corpo a corpo, ele é também uma modalidade moderna dos relacionamentos, e não apenas os casuais e efêmeros, mas também auxiliam em relações mais duradouras em que os parceiros se encontram afastados geograficamente.
Até a tecnologia tem notado esse fato e foi desenvolvido um aplicativo que controla a distância as vibrações de um conjunto soutien/ calcinha, bem como seu par, a cueca. O chamado "Fundawear" é fabricado pela empresa de preservativos australiana Durex.

E tem até mais para os namorados distantes, a LovePalz lançou no mercado um brinquedo hiper sofisticado e de alta tecnologia que a empresa apelida como: Connecting lovers. Essa preciosidade tecnológica parece querer deixar para trás todos os dispositivos vibratórios existentes até o momento. Deixo vocês descobrirem através deste link: Ô meu Zeus!

Para os mais impacientes, aqui vai o site da LovePalz (somente em inglês)onde podem até comprá-lo ;-) 
Venham contar dos resultados, viu!

sexta-feira, 29 de março de 2013

Do casamento à sexualidade (5)

 A caminhada cogitativa dessa coletânea objetiva compartilhar algumas reflexões e provocar a meditação sobre um dos aspectos mais importantes - que acho - do nosso quotidiano, bem como apontar caminhos reflexivos que possam conduzir a uma melhor abordagem dos nossos relacionamentos. Convido cada transeunte, seguidor ou amigo do blog passando por aqui a deixar sua contribuição a essas reflexões sobre as quais cada um de nós tem necessariamente uma experiência e uma opinião.
*  *  *

Apesar de tudo que venho comentando desde o nº 1 da série, há de ser claro que não faço a apologia do sexo desenfreado, necessariamente devasso e libertino. Estou somente tentando pôr em perspectiva um olhar diferente sobre o relacionamento entre homens e mulheres abordando a questão com outro ponto de vista, isto é, pelo lado da sexualidade, que me parece e me aparece como crucial nesse relacionamento apesar de quase sempre ser oculto, omitido, posto de lado, recusado até dos motivos que provocam a ruptura de muitos relacionamentos.
"Afinal, o sexo não é tudo num relacionamento!" - dizem muitos daqueles que vivenciaram essa situação. Mas será?

Por outra parte, não restrinjo esse problema relacional ao casamento "de papel passado", pois o fato - a ruptura - não é exclusivo do casamento propriamente dito e pode ser também observado em relacionamentos informais; no entanto, ele não desemboca nos mesmos problemas que no caso do casamento formal e é mais fácil de se resolver. Contudo, em termos emocionais, o trauma da separação e do recomeço da vida "pós-casamento" não fica muito menor.

De fato, como comentado anteriormente, as estatísticas comprovam essa necessidade humana de construir uma vida a dois, como mínimo, o que não exclui uma necessária convivência em grupo, uma vida social. O Ivan Martins, num recente artigo comentando sobre a complementaridade em um casal, salienta: "A nossa humanidade requer o outro."

Pois é! E é bem raciocinando nessa linha de pensamento que escrevo aqui esta coletânea de reflexões, não condenando nada, mas sim tentando desvendar os mistérios que estão por trás do insucesso vultuoso de um convívio geralmente desejado e provavelmente necessário ao nosso bem-estar.

Afinal, tem um argumento "de choque": Ninguém casa para não ser feliz!
Com certeza!
Mas então, por que tantos casamentos dão errado?

Escolha errada, dizem alguns, rotina, dizem outras, sacanagem de um para com o outro... mas por que se aqueles dois se gostavam tanto a ponto de casar?

Eu já estou desconfiado pela própria instituição casamenteira, mas o primeiro "erro" que é comum aos dois parceiros é de fazer uma associação muito simples (simples demais), porém erradíssima, ao equacionar o casamento e a felicidade na relação:

casamento = felicidade

Porém, todos casam pensando ser felizes. Todos, ou quase todos porque tem também uns matreiros que casam por interesse...:-)

Mas o que está errado se todos buscamos casar para sermos felizes?

É que em primeiro lugar, e por definição, casamento envolve duas pessoas enquanto felicidade é individual e intransferível. Portanto, a busca pela felicidade é uma jornada individual enquanto o casamento uma jornada a dois que, assim sendo, exige uma perpétua adequação das duas individualidades para seguir em harmonia.

A isso se acrescenta a evolução individual, necessariamente privativa a cada membro da comunidade (de dois), que contribui a gerar o pomo da discórdia. Mas essa evolução não pode ser responsabilizada, ela é natural. Ao longo do tempo, as pequenas arestas que no início passam desapercebidas graças ao lubrificante poderoso que é o amor - e o sexo - se tornam cada vez mais ásperas chegando a provocar feridas que acabam levando ao fim da relação - do casamento no caso. 55% dos casamentos dão em divórcio nos EUA, 65% na Dinamarca ou na Bélgica; muito menos em países fortemente católicos como Itália ou Irlanda; cerca de 30% no Brasil.


E, dentro dessas evoluções, está a evolução sexual de cada um dos parceiros, amantes ou esposos - que já por natureza, masculina ou feminina, tendem a evoluir de maneira distinta - que sofrem as influências da evolução da própria sociedade, nos seus modos de viver, de pensar, de ser, de olhar e se relacionar.

No seu livro "O Livro do Amor" a psicóloga Regina Navarro Lins atribui a mudança das relações sexuais ao longo da história da humanidade quase que exclusivamente à evolução da mulher, chegando à conclusão óbvia de que no futuro conviverão lado a lado casamentos formais e abertos, a bisexualidade e o sexo grupal. Digo óbvia pois essa convivência já existe, e de há muito tempo, embora tenha sido velada, porque condenada, e continue ainda marginal ou, digamos, precursora.

Eu já vejo o fato como uma evolução da sexualidade humana, como um todo e por isso mesmo que ela é incontornável e inexorável. Mas há um aspecto que a autora desenvolve no livro que compartilho totalmente, é o fato de que ela considera a sexualidade como "uma invenção humana" que, pelo próprio caráter evolutivo da humanidade sofre também esse processo de evolução conforme evolui a sociedade. E de fato, a sexualidade, ou melhor, a busca do prazer através da relação sexual, é própria do ser humano na natureza terrestre.

Por outra parte, me parece que essa evolução é tão marcada por um processo de evolução do homem quanto da mulher, homem que saiu lentamente da sua rusticidade para se tornar, cada vez mais livremente, gay, metrossexual ou bi, a sociedade mais permissiva - diria mais madura - que eclodiu depois da Segunda Guerra mundial, permitindo uma expressão mais plena e desinibida das individualidades.


sexta-feira, 8 de março de 2013

Possessão (4)


A posição não é muito confortável, mas faz parte do jogo que ele mesmo provocou. Claro, o jogo escapou do seu controle, mas conhecendo Séverine, ele não se surpreende com a evolução da situação que ela tomou em mãos com maestria. Resta que está amarrado e não pode nem usar suas mãos, nem mexer muito, e nem escapar das mãos e das fantasias da moça que está demonstrando um requinte brilhante no seu papel de dominadora.
- Estás bem chéri? – pergunta com fingida preocupação. E sem esperar por uma resposta, se ajoelha ao lado dele, leva a taça na sua boca, coloca seus lábios sobre os lábios dele, e solta o líquido aos poucos na sua boca. Pierre bebe, surpreso e maravilhado com a imaginação fértil da moça. Séverine repete a cena, quase esvaziando a taça e levanta o busto, ficando ajoelhada, emborca a taça e derrama o restinho da bebida sobre o peito dele. Ri, se debruça sobre ele e lambe o champagne derramado, lambendo seu peito, seus mamilos, dando-lhes umas mordidas. Pierre estremece quando ela aperta um pouco mais o mamilo entre os dentes, e logo o esfrega com a língua, como ele costuma fazer nela. Dá uma última lambida, descendo pela barriga e para chegando ao umbigo.
Ela se levanta, fica em pé, olha para ele e diz:
- Agora sim, tu és meu, e é assim que vou te possuir!
Dá-lhe as costas e vai levar a taça na mesa. Lá, para e começa a olhar os brinquedos novamente, como se procurasse entender como usá-los. Após um instante, fecha o pano em que Pierre os trouxe e pega o conjunto, o leva até a cama e o deixa no chão, ao lado.
Pierre é dela. Ela o amarrou e está indefeso, entregue ao seu prazer e sua fantasia. É o que ele havia pedido e pelo qual ia se empenhar.
- Possua-me! – dissera ele.
E está pensando que nunca imaginou possuir um homem. Mas a ideia a deixa muito excitada, e assim começa a brincar com ele, sentindo o prazer da dominação.
Séverine o acaricia, beija, mordisca, buscando entrosar-se no papel que pretende assumir, buscando inventar o que precisa fazer para ser a mulher fatal, dominadora, que irá possuir um homem, fazer dele um objeto sexual... Está aprendendo seu papel ao mesmo tempo em que atua, mas as ideias chegam às pressas em sua mente e consegue fazê-lo gemer e se contorcer, além de já ter provocado nele uma bela ereção que ela olha sem dissimulação com um prazer bem real. Suas carícias, percorrendo todo seu corpo, se fazem mais precisas, mais localizadas, centrando-se nos seus lábios, que acaricia com os dedos, os seios e a barriga, que ela morde, lambe e beija, conforme lhe apraz, e o sexo que adula com carícias da mão, lhe acariciando os testículos e o interior das coxas que ele abre de curtição. Séverine sente um prazer muito peculiar nesta carícia. Está deslumbrada com o sexo ereto de Pierre. Morre de vontade de empunhar esse membro grosso e rijo e mexer com ele, tocá-lo, lambê-lo, chupá-lo, mordê-lo... e enfiá-lo nela!
Mas antes disso, precisa enlouquecê-lo.
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*        *
Debruçada por cima da cama, ainda vestida do robe e o sapato, as pernas dobradas com os pés para cima, numa posição bastante atrevida para atrair o olhar de Pierre e enchê-lo de desejo, Séverine olha para o chão ao lado da cama onde deixou os brinquedos, e escolhe o pênis vibrador. Pega um preservativo, com o qual cobre o falo, devagar, e o besunta de lubrificante, enquanto Pierre a observa, deitado e nu, tornador simples objeto sexual.
Sé olha para ele, sorri, vem colar sua boca na boca dele e o beija fervorosamente. Encerrando o beijo com uma mordida no seu lábio, ela passa um braço por cima do seu corpo, deitando o busto na sua barriga, dando-lhe as costas, e começa a lhe acariciar o sexo, sobre o qual ela deita sua boca. Com a outra mão segurando o brinquedo, ela procura seu ânus e, enquanto o chupa com um delicioso refinamento e um prazer notório, procura enfiar nele o vibrador.
- Vai devagar passarinho – diz Pierre num sussurro, já ofegante.
Ela reduz um pouco sua pressão, mas sem pará-la, e, repentinamente, sente o vibrador aprofundar-se devagar, enquanto o sexo dele cresce e endurece na sua boca.
Incrivelmente, Sé se sente possuindo-o!
E, de súbito, ela percebe o sentido amplo da palavra ‘possuir’, entendendo, ao mesmo tempo, que nas relações de macho e fêmea, homem e mulher, somente o homem tem a condição de possuir, através do seu falo, enquanto a mulher, por natureza, apenas pode ser possuída. Entende o símbolo fálico da espada com a qual você domina, submete, se apossa, em guerreiro vencedor. Porém, naquele momento, é ela que está possuindo o homem que se entregou a ela, e sente-se plena e profundamente mulher por poder deleitar-se dessa dominação, como se fosse ela uma Amazona, uma dessas mulheres guerreiras e dominadoras.
Durante alguns instantes, Séverine explora essa arte da dominação. Sem parar de reverenciar o pênis ereto que a fascina, lambendo e chupando-o com ardência e deleitação, ela possui Pierre com esmero, fazendo-o gemer e se contorcer, sentindo-o rendido, vencido, totalmente entregue a suas carícias, como fizera dela pouco antes. Alterna a penetração, com um movimento de vai e vem dominador, e a excitação com as vibrações que ela comanda por instantes. O sexo dele está imenso na sua boca, o que a enche de satisfação.
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sábado, 23 de fevereiro de 2013

Possuir! (2)


Possuir é ter o domínio pleno e irrestrito sobre alguma coisa.

Um filme retrata muito bem esse sentimento, ou essa relação, melhor dito, é "O Império dos Sentidos" (1976) do diretor japonês Nagisa Oshima. Apesar de ter sido alvo de inúmeras críticas, porém muitos elogios também (por sua vez bastante criticados pelos - falsos - moralistas), o filme vai muito além da pornografia aparente (e explícita). Mas como retratar esse tipo de aspecto relacional (o sexual) sem entrar na expressão explícita das sensações e dos sentimentos proporcionados pelos atos em si? Como falar da diversidade das fantasias sexuais ou dos variados prazeres e suas formas de alcançá-los através de atos sexuais sem descrever ou mostrá-los?
De certa forma foi esta reflexão que me conduziu a escrever contos eróticos.

Mas voltando ao filme, se trata de uma paixão descomunal e obsessiva que leva os protagonistas aos limites extremos da sua sexualidade numa busca incessante pelo prazer que leva até a morte. Se o filme chocou no fim da década de 70 e que continua sendo objeto de críticas, se ainda hoje se tem muitos tabus relativamente aos assuntos envolvendo o sexo, vale lembrar que o filme retrata uma história real que ocorreu em 1936! O que mostra que a sexualidade sempre foi assunto intrínseco ao ser humano e que, apesar da liberdade teórica que temos hoje para falar do tema, todos sabemos da dificuldade de abordá-lo de fato no quotidiano, mesmo nas suas formas mais "aceitas" ou, talvez, "convencionais".

Pois então, possuir é esse sentimento de abandono total capaz, no ato sexual, de satisfazer ambos os parceiros, tanto ao exercer seu domínio sobre o outro, quanto ao entregar-se de corpo e alma. Isso que retrata muito bem o filme comentado, a meu ver.

O que tem a ver com sexo anal? 

Muitas coisas, creio, mesmo porque a sodomia na Antiguidade era diretamente ligada a uma relação de dominação, de poder (mestre e escravos em especial). Por outra parte, a penetração em si é uma forma inconsciente de dominação do outro, portanto a espada ou a lança representando o falo na simbologia psicanalítica.

Mas a sodomia é também uma forma de estimulação de uma zona erógena, o ânus. "Na verdade, é uma zona erógena mais completa que as outras, e que oferece um leque amplo de sensações" diz a escritora Coralie Trinh Thi no seu livro "Ouse... a sodomia"(1)
E foi a partir da assimilação do ânus como zona erógena que me apareceu uma evidência incontornável: o sexo anal é a única prática sexual (exceto o beijo) em que existe igualdade entre o homem e a mulher! Tanto nunca poderemos, homens, experimentar a sensação de um orgasmo clitoridiano, quanto as mulheres experimentar o prazer masculino do coito, mas ambos podemos experimentar e comparar nossas sensações com a penetração ou a excitação anal.

Revelação para você? Não? Para mim foi. 

Levei muitos anos antes de o meu raciocínio alcançar este aspecto da sexualidade, mas é uma evidência que merece reflexão. E fucei o assunto, percebendo que o ato é ainda um dos maiores tabus que permanecem acerca da sexualidade. Ouvi o caso de uma jovem discriminada de repente dentro do seu grupo por confessar que "deu o cú" pró namorado a suas colegas. Teve o caso da cantora Sandy que foi assolada de comentários dizendo que gostava de sexo anal (zombando dela claro) por causa de certo comentário feito à PlayBoy, sem falar dos corriqueiros "vá tomar no ...!" que bem mostram a alta estima que se tem pelo ato na nossa sociedade.

Por outra parte, para os que "ousam" a sodomia, a prática permanece um ato nem tão banal, seja entre héteros  seja entre homossexuais, e este somente é realizado mediante preliminares, cumplicidades e, até, rituais, bem específicos. Contudo, se apenas 20 a 25% dos casais héteros confessam incluir o coito anal dentre suas práticas sexuais, homens e mulheres, em proporções quase idênticas, dizem tanto gostar de excitar seu parceiro(a) quanto de ser excitado(a) por ele.

Resta que, queira ou não, o sexo anal não é nenhuma perversão, mas sim uma das múltiplas formas de realizar um dos atos mais importantes na vida do ser humano: o ato sexual. 
Rastreei na net um vídeo "didático" do SBT que ensina como se preparar e realizar um coito anal "bem-sucedido" que deixo aqui para os mais curiosos, ou os mais ousados, que gostariam de experimentar.

Divirtam-se! :-)


(1) "Osez... la sodomie" - Coralie Trinh Thi - Editions La Musardine - Paris 

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Possessão (3)


- Ajoelhe-se na cama!
Completamente submissa e conquistada, Séverine se vira e se ajoelha sobre a cama. Ela sente a mão de Pierre nas suas costas e estremece. Pela primeira vez, ele encosta a mão nela e é como se tivesse recebido uma descarga elétrica. Ao mesmo tempo em que a mão dele corre sobre sua coluna em direção a sua nuca, Pierre encaixa o corpo por trás dela e começa a se esfregar. Ela sente simultaneamente o calor do seu pênis, a rugosidade do tecido e a aspereza dos botões da calça que não retirou e que a machucam.
O busto pressionado sobre a cama, a bunda para cima, nua, sua intimidade totalmente exposta aos seus olhares, seus toques, sua vontade, ela se sente como se fosse uma prostituta totalmente entregue ao bel-prazer do seu cliente.
Mas, apesar de tudo, Séverine se sente tremendamente excitada e plenamente realizada. Muitas vezes imaginou ser a “Belle de Jour”, submissa à vontade de um cliente que nem escolhera, sexualmente entregue a um desconhecido, quiçá um tarado, lhe obedecer e satisfazer suas vontades, seus desejos ou suas fantasias. E Pierre estava agora lhe proporcionando essa descoberta. Descoberta do sexo, da submissão, da fantasia, da humilhação, e até da rudeza e da dor.
Está se deleitando nesses pensamentos envolventes e fugazes quando ele diz:
- Acaricie-se, que quero te olhar te tocando, cadela!
Mais uma vez, a voz dele é uma chicoteada. Fala grosseiramente e com aspereza para humilhá-la. Mas ela sente um prazer estranho em ser tratada assim, como uma puta vadia, e está gostando de sê-la naquele momento. Empinando ainda mais sua bunda, lasciva e arrogante, ela passa a língua nos seus dedos, enfia sua mão entre suas pernas e começa a acariciar seu clitóris, lenta e voluptuosamente, rebolando seu quadril. [...]
*
*        *
Séverine estremece e faz um movimento repentino para erguer o corpo quando Pierre aconchega seus dedos sobre seu ânus que começa a massagear. A sensação abrupta dessa mão tocando uma das partes mais íntimas do seu corpo lhe causa uma sensação de violência da qual tenta escapar. Mas Pierre a segura firmemente e, desta vez, aumenta sua pressão, a tal ponto que se sente cravada naquela posição, sem possibilidade de se libertar, impotente e definitivamente submissa.
- Relaxa! - diz com uma voz suave e apaziguante. – Continua te acariciando!
Dócil, Séverine faz o que manda, e de fato se sente relaxando, curtindo agora todas as sensações que lhe trazem as carícias e a situação. O toque que achou aviltante num primeiro instante passa a ser uma sensação não totalmente desagradável e até começa a gostar enquanto Pierre segue com sua carícia, demoradamente, apertando cada vez mais.
[...]
A penetração foi repentina e seu ânus está doendo, mas ao mesmo tempo em que o sexo de Pierre a penetra, uma excitação íntima a possui no bojo do seu ventre e ela sente uma mistura de prazer e de dor, em que o prazer domina. E se surpreende a mexer o quadril, relaxando-se, e fazendo-o aprofundar-se ainda mais.
Sentindo Séverine relaxar e movimentar o quadril, Pierre a solta e pega no bolso um pequeno vibrador que liga, buscando seu sexo, e a penetra duplamente.
Desta vez, Séverine não se debate mais. Solta um longo gemido, mexe seu quadril para acomodar-se, para disfrutar de todas as sensações que a devoram, por todas partes, e começa a agitar-se com mais rapidez e intensidade. Agarrando seu quadril e aprofundando-se o quanto possível, deliciado com seu sexo apertado dentro dela, Pierre sente que vai gozar; uma sensação que o enlouquece de prazer. Ela está ofegante, mexendo o corpo desordenadamente, invadida, dominada, possuída, tomada por uma sensação de prazer descomunal, e Pierre, não conseguindo mais resistir ao apelo da sua amante em delírio, sente os espasmos do seu sexo explodindo nela. Seu orgasmo sacode Séverine que, também, goza mais uma vez, um orgasmo mais forte, mais violento, lhe arrancando um grito de prazer, um longo gemido parecendo o alarido de uma guerreira no calor de uma batalha.
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domingo, 10 de fevereiro de 2013

Possuir!


Ao mesmo tempo sugerindo posse ou subjugação, possuir toma no ato sexual uma dimensão peculiar de dominação ou de submissão, que poderia pressupor alguma relação de superioridade. No entanto, de acordo com o sentimento ou o desejo de um ou outro dos parceiros, possuir pode se revelar uma troca interessante na relação de dominação e frequentemente aquele que encontra prazer ao se submeter ao outro experimenta o maior deleite em dominar e, a sua vez, possuir!

Entretanto, as formas dessa "possessão" do parceiro muda sensivelmente em se tratando de homem ou de mulher pois o homem possui, no próprio falo, o instrumento de sujeição. Daí é muito mais comum ouvir que o homem possui a mulher, quando o inverso é bem mais raro.

Será que a mulher não pode possuir?

De forma muito mais sutil sim, a mulher pode dominar o homem sexualmente, deixando ele enlouquecido na beira do orgasmo, e felizardo aquele que terá a chance de ser dominado assim.

Mas são muitas as formas de dominar ou ser dominado e o universo BDSM é voltado para as mais requintadas delas, sejam físicas ou psicológicas. Embora não seja adepto das práticas, estas deixam a perceber a importância da relação de dominação na sexualidade humana pelo lugar que toma no dia a dia, seja nos sex-shop, seja na literatura (o arrebatamento de Cinquenta Tons de Cinza é uma ilustração perfeita do fenômeno), seja em jornais ou revistas e mesmo na televisão.

Dominador ou dominado, não tem grande importância, pois o que importa é que se desenvolva a relação de dominação entre os parceiros, e se observa, em graus maiores ou menores, o gosto em atuar em uma ou ambas as situações, tanto nos homens como nas mulheres. A esse respeito, me chamou muito a atenção a questão do sexo anal, pois de todos os relatos que li e ouvi, o prazer no coito anal foi relatado como intimamente ligado às sensações de dominação e de submissão. 

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Possessão (2)


Séverine está nua e sente, nas costas, os olhos de Pierre a observando.
Ele a olha mudo, encantado pelo corpo delgado, porém lindamente desenhado, que se oferece ao seu olhar ávido. A bunda em forma de gota está inteiramente exposta, a calcinha de tipo "fio-dental" não cobrindo nada mesmo, exceto o lacinho rodeando seu quadril, apoiada sobre as longas pernas, lindamente torneadas, que parecem maiores ainda por causa dos sapatos de salto alto que conservou até agora. Fica um instante olhando-a, de costas, levado por pensamentos misturando lubricidade e carinho e diz, finalmente, tentando engolir sua saliva:
- Vira!
Ai! Como vai ser difícil obedecer agora com os seios nus! Está quase nua, de fato, mas os seios... Se sente violentada, ao se expor assim, ao mesmo tempo em que uma nova onda de prazer a invade e, como se fosse uma droga poderosa, se sente atraída, sente que não vai resistir ao apelo, à vontade de se submeter à sensação. Gira, lentamente, e, para disfarçar, tentando trapacear, mexe com o cabelo de uma mão, o braço passando na frente dos seios enrijecidos de excitação.
- Deixa te ver! – diz Pierre com um leve tremor na voz. Ele olha essa bonequinha linda, com o corpo perfeito, o quadril levemente arredondado sobre as coxas finas, acompanhando a curva bem desenhada da cintura delicada, excitado pela cena.
Séverine baixa o braço, expondo seus seios, ficando um pouco curvada, como para se esconder.
- Chega mais perto! – ordena ele com o mesmo tom firme e gentil.
Ela se aproxima, vermelha de vergonha, mas ao mesmo tempo excitada com essa situação que percebe como uma experiência incomum. Uma cascata de pensamentos desfila na sua mente, imagens que vira em filmes ou em relatos diversos, ou que ela mesma fantasiara a partir dessas leituras. Ela sente seus seios duros de tesão e sabe eles apontando, tesos, revelando sua excitação, confessando seu desejo, traindo sua submissão. Está diante dele, ao alcance das suas mãos, mas Pierre não faz um movimento para tocá-la. Se ela não estivesse tão envergonhada e tão excitada, ela perceberia a emoção dele, mas está tão cega de tesão que apenas ouve o seu coração batendo a mil por hora no seu peito.
- Tu és linda! – diz num sopro.
Pierre permanece de pé, e vestido. Está curtindo esse momento que ele imaginou e organizou. Sentiu-se excitado em várias ocasiões na preparação desse encontro, mas agora, o desejo está possuindo-o. Queria tomá-la nos braços, beijá-la, acariciá-la, lhe contar seu amor, possui-la já. Mas ele quer seguir o enredo que previu, e que torna o encontro mais excepcional.
- Mexe com teu cabelo, com as duas mãos. Levantá-lo para cima e solta! Várias vezes!
Dócil e obediente, Séverine se executa, lhe oferecendo assim uma visão total do seu corpo, não podendo mais escondê-lo, e sente que está ultrapassando a vergonha. "Tu és linda" havia dito, e de fato, se sente maravilhosa, voluptuosamente devassa, incrivelmente mulher. E é com um sabor de lubricidade que faz o movimento de levantar o cabelo e deixá-lo cair, despenteando-se.
E é o momento que Pierre escolhe para apanhar repentinamente os laços da sua calcinha e puxá-los juntos, desamarrando-a.
Totalmente solto, o pedaço de tecido leve desliza sobre sua coxa e cai no chão. Está completamente nua agora, exceto o sapato, e a sensação lhe provoca um tremor no corpo inteiro... mas é um tremor de desejo. Sente uma excitação indescritível tomar conta dela. Queria que Pierre a possuísse naquele momento, a submetesse, a penetrasse, brutalmente... e sente seu tesão escorrer, deixando-a molhada.
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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Possessão (1)


- Tira a roupa!
A frase surge como o estalo de um chicote, embora Pierre não tivesse elevado a voz.
Séverine arregala os olhos, fitando Pierre que a olha, as mãos nos bolsos da calça, com um ar debochado e um leve sorriso no canto da boca, e fica se perguntando se estaria brincando.
- Tira a roupa! – repete ele com o mesmo tom doce e tranquilo, como para dissipar sua dúvida. E acrescenta:
- Devagar...
Desta vez, Séverine tem certeza de que ele não está brincando e, por um segundo, pensa em recusar-se. O que iria fazer se ela não quisesse? As imagens desfilam na sua mente com a velocidade da luz. De repente, ela se dá conta que está experimentando a mesma sensação que naquela famosa aula em que ele lhe pediu para acariciar-se na sua frente.
- Apenas obedeça, passarinho! - fala ele, como se lesse seus pensamentos.
A voz de Pierre é tão suave quanto imponente. Ela sente um frio percorrer suas costas... Sua luta acabou. Sente-se vulnerável, vencida, já possuída pelo olhar dele que não a deixa um segundo sequer e põe a mão no primeiro botão da blusa, como ordenou.
E é isso mesmo, é uma ordem, embora formulada com doçura; uma ordem à qual ela deve obedecer e que lhe desperta, ao mesmo tempo, a vontade de se rebelar e uma excitação sútil ao se sentir submissa. E a vontade de se submeter passa a dominá-la, a possui-la, e ela se rende a essa força oculta que a cativa. Além disso, a ordem vem ao encontro do seu gosto pelo exibicionismo que Pierre lhe fez descobrir naquela aula. O pensamento desperta mais ainda sua excitação e Séverine sente seus seios endurecer.
Pierre a observa, percebendo sua excitação nas bochechas corando. Sorri, satisfeito de ver que acertara sua reação. Desde o primeiro encontro sexual que tiveram, ele percebeu nela esse gosto pela submissão, pela humilhação até. De forma leve, pois não é um incondicional do BDSM, ele gosta dessa troca dominante/dominado entre os parceiros e sabe que, pelo próprio fato de apreciar a submissão, ela irá gostar de dominar também, como ele mesmo tem sua queda pela submissão.
A blusa já desabotoada, Séverine está preste a tirá-la:
- Não! – diz ele - Ainda não. O sutiã primeiro!
Pierre continua ordenando e Sé, obediente, desamarra o sutiã, tirando-o por baixo da blusa aberta. Pierre se encanta de vê-la sem sutiã. Olhar seus seios pequenos apontarem livremente sob o tecido leve da blusa lhe causa uma onda intensa de calor que lhe percorre o corpo e o deixa febril.
- A saia!
De novo, a voz imperativa e cálida lhe impõe seus atos e Séverine começa a sentir prazer em obedecer. É como numa hipnose em que você é dominado pela voz do hipnotizador. Ela enrubesce, mas dócil, desamarra a saia e a deixa cair.
Pierre olha a calcinha miudinha que ela veste, como fascinado pela pequenez do triângulo de tecido, pelos lacinhos amarrados nos lados, pela renda fina que ornamenta a peça, pela cor negra que contrasta com a brancura da pele. Sempre com o mesmo tom doce e cortante ao mesmo tempo, e a mesma economia de palavras ele prossegue dando ordens:
- Gira!
Sé levanta um pé após o outro, abandonando a saia no chão, e se vira, totalmente submissa, sentindo-se envergonhada por se desnudar assim, em plena luz do dia, diante desse homem vestido, porém cada vez mais excitada pelo mesmo motivo que a envergonha.
- Pode tirar a blusa.
A frase era convidativa, mas o tom não lhe deixa alternativa. Séverine se sente mais constrangida ainda por ter de desnudar assim seus seios e é tomada por uma vontade de sumir, de sair correndo. Ao mesmo tempo, uma sensação estranha toma conta dela, da sua barriga, do seu corpo: o tesão! Sente seus mamilos ficarem grossos e tesos, e ela adora essa sensação. Um ombro... o segundo ombro... segura um instante a blusa com os braços, ainda lhe cobrindo a bunda, e a deixa cair.
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sábado, 12 de janeiro de 2013

Novo conto


Comentei que o concurso cultural da Marie-Claire havia estimulado meu empenho na escrita dos contos. De fato, frequentar Ch. Grey e Miss Steele me fez perceber que meu próprio caminho era uma boa escolha para falar de sexualidade. Retratar experiências permite conversar melhor com o imaginário do que apenas relatá-las, foi o que me revelou essa literatura erótica que, além de brincar com minha imaginação, me levou a pensar nas minhas próprias fantasias, em fantasias que não havia percebido como tal ou que simplesmente desconhecia.

Portanto me senti fortalecido na ideia de falar de sexualidade através de contos.
Provocar sensações, mas também reflexões, e promover descobertas, é o que tento fazer ao escrevê-los. É bastante desafiador flertar com a sexualidade através de imagens ou de palavras, vagueando no limite entre o erotismo e a pornografia. Procuro ficar cá, sem omitir de entrar lá, pois na verdade, uma dose de pura indecência pornográfica, na boa dosagem, apimenta muito o relacionamento sexual, seja nos atos, seja nas palavras. Esta é uma das constatações decorrentes das minhas perambulações internáuticas desses últimos anos.
Afinal, em se tratando de sexo, havemos de considerar uma infinidade (talvez nem tão infinita) de formas de expressão da sexualidade, certas até surpreendentes, embora não condenáveis desde que explicitamente aceitas por ambas as partes, como frisam os libertinos assíduos.

Já postei um trecho de um primeiro conto, que chamei A Revelação, e prometi postar a minha versão do conto que participou do concurso e foi publicado na Marie-Claire. Esta vai a seguir.
Como se trata de um texto muito comprido que não caberia muito bem na prática blogueira, só vou postar alguns trechos, como fiz com o conto anterior.

Até breve!

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Do casamento à sexualidade (4)


Aproveito esse primeiro dia do ano para começar produtivamente 2013 e desejar, com esse novo post, um ótimo ano a todos que passarão por aqui.

No post anterior, estava falando do concurso organizado pela conceituada revista Marie-Claire. Para ilustrar o que comentei no post nº 3 desta coletânea "Do Casamento à Sexualidade", leia a matéria publicada pela mesma revista na ocasião desse concurso. Logo no título, observe a publicidade em torno da obra "Cinquenta Tons de Cinza", mas também o apelo para o tema da sexualidade que floresce hoje em todas as mídias.

Pois é. Por que será que se fala tanto em sexo?

Com efeito, a sexualidade já despontou com a grande revolução que germinou na juventude do pós-guerra e foi desabrochando ao longo das décadas seguintes, com o rock n'roll, a liberação do "amor livre", a emancipação feminista, a revolução de Maio 68 na França, o movimento 'hippy' de paz e amor, entre outros, indícios inegáveis de que a sexualidade vem se liberando há décadas e que o fenômeno atual nada mais é que o resultado de um longo processo de amadurecimento da sociedade.

Será por isso que todo mundo deve sair trepando com todo mundo? De forma alguma.
Estar sexualmente livre e equilibrado não significa transar sem discriminação; significa apenas ter a liberdade de fazê-lo se quiser, quando quiser e da forma que quiser, o que é muito diferente.

É garimpando no meio da proliferação de sites e bate-papos diversos sobre sexo, uma quase infinidade hoje, que, justamente, você percebe as aspirações de uns, os medos de outros, as vontades e as fantasias que povoam a mente das pessoas, mas também a grande imaturidade que permanece no seio de uma sociedade que continua, como em maioria foi acostumada, a censurar e condenar, forçando as pessoas a serem hipócritas, a mentir e a dissimular.

Ouvi uns relatos impressionantes de pessoas - mulheres em geral, pois os homens são geralmente os garanhões do pedaço e não têm problemas -, mulheres que chegam à idade de 40 anos, tendo finalmente se separado do marido e que nunca tiveram uma sexualidade que as satisfaçam, algumas - não poucas - que até nunca conheceram um orgasmo!
Uma frase me marcou bastante nesse sentido: "Fui casada durante 22 anos, agora quero viver!"

Para não ficar parecendo que tudo aquilo é apenas um "ponto de vista", achei um vídeo super engraçado que ilustra muito bem essas realidades, enfim uma delas: veja aqui.

Com o mesmo intuito, encontrei o blog de Luisa, uma mulher casada há 15 anos, que testemunha com uma sinceridade notável sobre essa questão da sexualidade. Vale a pena ler seus relatos corajosos e sensíveis, notadamente: Confissões de uma mulher casada.