sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Possessão (2)


Séverine está nua e sente, nas costas, os olhos de Pierre a observando.
Ele a olha mudo, encantado pelo corpo delgado, porém lindamente desenhado, que se oferece ao seu olhar ávido. A bunda em forma de gota está inteiramente exposta, a calcinha de tipo "fio-dental" não cobrindo nada mesmo, exceto o lacinho rodeando seu quadril, apoiada sobre as longas pernas, lindamente torneadas, que parecem maiores ainda por causa dos sapatos de salto alto que conservou até agora. Fica um instante olhando-a, de costas, levado por pensamentos misturando lubricidade e carinho e diz, finalmente, tentando engolir sua saliva:
- Vira!
Ai! Como vai ser difícil obedecer agora com os seios nus! Está quase nua, de fato, mas os seios... Se sente violentada, ao se expor assim, ao mesmo tempo em que uma nova onda de prazer a invade e, como se fosse uma droga poderosa, se sente atraída, sente que não vai resistir ao apelo, à vontade de se submeter à sensação. Gira, lentamente, e, para disfarçar, tentando trapacear, mexe com o cabelo de uma mão, o braço passando na frente dos seios enrijecidos de excitação.
- Deixa te ver! – diz Pierre com um leve tremor na voz. Ele olha essa bonequinha linda, com o corpo perfeito, o quadril levemente arredondado sobre as coxas finas, acompanhando a curva bem desenhada da cintura delicada, excitado pela cena.
Séverine baixa o braço, expondo seus seios, ficando um pouco curvada, como para se esconder.
- Chega mais perto! – ordena ele com o mesmo tom firme e gentil.
Ela se aproxima, vermelha de vergonha, mas ao mesmo tempo excitada com essa situação que percebe como uma experiência incomum. Uma cascata de pensamentos desfila na sua mente, imagens que vira em filmes ou em relatos diversos, ou que ela mesma fantasiara a partir dessas leituras. Ela sente seus seios duros de tesão e sabe eles apontando, tesos, revelando sua excitação, confessando seu desejo, traindo sua submissão. Está diante dele, ao alcance das suas mãos, mas Pierre não faz um movimento para tocá-la. Se ela não estivesse tão envergonhada e tão excitada, ela perceberia a emoção dele, mas está tão cega de tesão que apenas ouve o seu coração batendo a mil por hora no seu peito.
- Tu és linda! – diz num sopro.
Pierre permanece de pé, e vestido. Está curtindo esse momento que ele imaginou e organizou. Sentiu-se excitado em várias ocasiões na preparação desse encontro, mas agora, o desejo está possuindo-o. Queria tomá-la nos braços, beijá-la, acariciá-la, lhe contar seu amor, possui-la já. Mas ele quer seguir o enredo que previu, e que torna o encontro mais excepcional.
- Mexe com teu cabelo, com as duas mãos. Levantá-lo para cima e solta! Várias vezes!
Dócil e obediente, Séverine se executa, lhe oferecendo assim uma visão total do seu corpo, não podendo mais escondê-lo, e sente que está ultrapassando a vergonha. "Tu és linda" havia dito, e de fato, se sente maravilhosa, voluptuosamente devassa, incrivelmente mulher. E é com um sabor de lubricidade que faz o movimento de levantar o cabelo e deixá-lo cair, despenteando-se.
E é o momento que Pierre escolhe para apanhar repentinamente os laços da sua calcinha e puxá-los juntos, desamarrando-a.
Totalmente solto, o pedaço de tecido leve desliza sobre sua coxa e cai no chão. Está completamente nua agora, exceto o sapato, e a sensação lhe provoca um tremor no corpo inteiro... mas é um tremor de desejo. Sente uma excitação indescritível tomar conta dela. Queria que Pierre a possuísse naquele momento, a submetesse, a penetrasse, brutalmente... e sente seu tesão escorrer, deixando-a molhada.
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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Possessão (1)


- Tira a roupa!
A frase surge como o estalo de um chicote, embora Pierre não tivesse elevado a voz.
Séverine arregala os olhos, fitando Pierre que a olha, as mãos nos bolsos da calça, com um ar debochado e um leve sorriso no canto da boca, e fica se perguntando se estaria brincando.
- Tira a roupa! – repete ele com o mesmo tom doce e tranquilo, como para dissipar sua dúvida. E acrescenta:
- Devagar...
Desta vez, Séverine tem certeza de que ele não está brincando e, por um segundo, pensa em recusar-se. O que iria fazer se ela não quisesse? As imagens desfilam na sua mente com a velocidade da luz. De repente, ela se dá conta que está experimentando a mesma sensação que naquela famosa aula em que ele lhe pediu para acariciar-se na sua frente.
- Apenas obedeça, passarinho! - fala ele, como se lesse seus pensamentos.
A voz de Pierre é tão suave quanto imponente. Ela sente um frio percorrer suas costas... Sua luta acabou. Sente-se vulnerável, vencida, já possuída pelo olhar dele que não a deixa um segundo sequer e põe a mão no primeiro botão da blusa, como ordenou.
E é isso mesmo, é uma ordem, embora formulada com doçura; uma ordem à qual ela deve obedecer e que lhe desperta, ao mesmo tempo, a vontade de se rebelar e uma excitação sútil ao se sentir submissa. E a vontade de se submeter passa a dominá-la, a possui-la, e ela se rende a essa força oculta que a cativa. Além disso, a ordem vem ao encontro do seu gosto pelo exibicionismo que Pierre lhe fez descobrir naquela aula. O pensamento desperta mais ainda sua excitação e Séverine sente seus seios endurecer.
Pierre a observa, percebendo sua excitação nas bochechas corando. Sorri, satisfeito de ver que acertara sua reação. Desde o primeiro encontro sexual que tiveram, ele percebeu nela esse gosto pela submissão, pela humilhação até. De forma leve, pois não é um incondicional do BDSM, ele gosta dessa troca dominante/dominado entre os parceiros e sabe que, pelo próprio fato de apreciar a submissão, ela irá gostar de dominar também, como ele mesmo tem sua queda pela submissão.
A blusa já desabotoada, Séverine está preste a tirá-la:
- Não! – diz ele - Ainda não. O sutiã primeiro!
Pierre continua ordenando e Sé, obediente, desamarra o sutiã, tirando-o por baixo da blusa aberta. Pierre se encanta de vê-la sem sutiã. Olhar seus seios pequenos apontarem livremente sob o tecido leve da blusa lhe causa uma onda intensa de calor que lhe percorre o corpo e o deixa febril.
- A saia!
De novo, a voz imperativa e cálida lhe impõe seus atos e Séverine começa a sentir prazer em obedecer. É como numa hipnose em que você é dominado pela voz do hipnotizador. Ela enrubesce, mas dócil, desamarra a saia e a deixa cair.
Pierre olha a calcinha miudinha que ela veste, como fascinado pela pequenez do triângulo de tecido, pelos lacinhos amarrados nos lados, pela renda fina que ornamenta a peça, pela cor negra que contrasta com a brancura da pele. Sempre com o mesmo tom doce e cortante ao mesmo tempo, e a mesma economia de palavras ele prossegue dando ordens:
- Gira!
Sé levanta um pé após o outro, abandonando a saia no chão, e se vira, totalmente submissa, sentindo-se envergonhada por se desnudar assim, em plena luz do dia, diante desse homem vestido, porém cada vez mais excitada pelo mesmo motivo que a envergonha.
- Pode tirar a blusa.
A frase era convidativa, mas o tom não lhe deixa alternativa. Séverine se sente mais constrangida ainda por ter de desnudar assim seus seios e é tomada por uma vontade de sumir, de sair correndo. Ao mesmo tempo, uma sensação estranha toma conta dela, da sua barriga, do seu corpo: o tesão! Sente seus mamilos ficarem grossos e tesos, e ela adora essa sensação. Um ombro... o segundo ombro... segura um instante a blusa com os braços, ainda lhe cobrindo a bunda, e a deixa cair.
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sábado, 12 de janeiro de 2013

Novo conto


Comentei que o concurso cultural da Marie-Claire havia estimulado meu empenho na escrita dos contos. De fato, frequentar Ch. Grey e Miss Steele me fez perceber que meu próprio caminho era uma boa escolha para falar de sexualidade. Retratar experiências permite conversar melhor com o imaginário do que apenas relatá-las, foi o que me revelou essa literatura erótica que, além de brincar com minha imaginação, me levou a pensar nas minhas próprias fantasias, em fantasias que não havia percebido como tal ou que simplesmente desconhecia.

Portanto me senti fortalecido na ideia de falar de sexualidade através de contos.
Provocar sensações, mas também reflexões, e promover descobertas, é o que tento fazer ao escrevê-los. É bastante desafiador flertar com a sexualidade através de imagens ou de palavras, vagueando no limite entre o erotismo e a pornografia. Procuro ficar cá, sem omitir de entrar lá, pois na verdade, uma dose de pura indecência pornográfica, na boa dosagem, apimenta muito o relacionamento sexual, seja nos atos, seja nas palavras. Esta é uma das constatações decorrentes das minhas perambulações internáuticas desses últimos anos.
Afinal, em se tratando de sexo, havemos de considerar uma infinidade (talvez nem tão infinita) de formas de expressão da sexualidade, certas até surpreendentes, embora não condenáveis desde que explicitamente aceitas por ambas as partes, como frisam os libertinos assíduos.

Já postei um trecho de um primeiro conto, que chamei A Revelação, e prometi postar a minha versão do conto que participou do concurso e foi publicado na Marie-Claire. Esta vai a seguir.
Como se trata de um texto muito comprido que não caberia muito bem na prática blogueira, só vou postar alguns trechos, como fiz com o conto anterior.

Até breve!

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Do casamento à sexualidade (4)


Aproveito esse primeiro dia do ano para começar produtivamente 2013 e desejar, com esse novo post, um ótimo ano a todos que passarão por aqui.

No post anterior, estava falando do concurso organizado pela conceituada revista Marie-Claire. Para ilustrar o que comentei no post nº 3 desta coletânea "Do Casamento à Sexualidade", leia a matéria publicada pela mesma revista na ocasião desse concurso. Logo no título, observe a publicidade em torno da obra "Cinquenta Tons de Cinza", mas também o apelo para o tema da sexualidade que floresce hoje em todas as mídias.

Pois é. Por que será que se fala tanto em sexo?

Com efeito, a sexualidade já despontou com a grande revolução que germinou na juventude do pós-guerra e foi desabrochando ao longo das décadas seguintes, com o rock n'roll, a liberação do "amor livre", a emancipação feminista, a revolução de Maio 68 na França, o movimento 'hippy' de paz e amor, entre outros, indícios inegáveis de que a sexualidade vem se liberando há décadas e que o fenômeno atual nada mais é que o resultado de um longo processo de amadurecimento da sociedade.

Será por isso que todo mundo deve sair trepando com todo mundo? De forma alguma.
Estar sexualmente livre e equilibrado não significa transar sem discriminação; significa apenas ter a liberdade de fazê-lo se quiser, quando quiser e da forma que quiser, o que é muito diferente.

É garimpando no meio da proliferação de sites e bate-papos diversos sobre sexo, uma quase infinidade hoje, que, justamente, você percebe as aspirações de uns, os medos de outros, as vontades e as fantasias que povoam a mente das pessoas, mas também a grande imaturidade que permanece no seio de uma sociedade que continua, como em maioria foi acostumada, a censurar e condenar, forçando as pessoas a serem hipócritas, a mentir e a dissimular.

Ouvi uns relatos impressionantes de pessoas - mulheres em geral, pois os homens são geralmente os garanhões do pedaço e não têm problemas -, mulheres que chegam à idade de 40 anos, tendo finalmente se separado do marido e que nunca tiveram uma sexualidade que as satisfaçam, algumas - não poucas - que até nunca conheceram um orgasmo!
Uma frase me marcou bastante nesse sentido: "Fui casada durante 22 anos, agora quero viver!"

Para não ficar parecendo que tudo aquilo é apenas um "ponto de vista", achei um vídeo super engraçado que ilustra muito bem essas realidades, enfim uma delas: veja aqui.

Com o mesmo intuito, encontrei o blog de Luisa, uma mulher casada há 15 anos, que testemunha com uma sinceridade notável sobre essa questão da sexualidade. Vale a pena ler seus relatos corajosos e sensíveis, notadamente: Confissões de uma mulher casada.