Ao mesmo tempo sugerindo posse ou subjugação, possuir toma no ato sexual uma dimensão peculiar de dominação ou de submissão, que poderia pressupor alguma relação de superioridade. No entanto, de acordo com o sentimento ou o desejo de um ou outro dos parceiros, possuir pode se revelar uma troca interessante na relação de dominação e frequentemente aquele que encontra prazer ao se submeter ao outro experimenta o maior deleite em dominar e, a sua vez, possuir!
Entretanto, as formas dessa "possessão" do parceiro muda sensivelmente em se tratando de homem ou de mulher pois o homem possui, no próprio falo, o instrumento de sujeição. Daí é muito mais comum ouvir que o homem possui a mulher, quando o inverso é bem mais raro.
Será que a mulher não pode possuir?
De forma muito mais sutil sim, a mulher pode dominar o homem sexualmente, deixando ele enlouquecido na beira do orgasmo, e felizardo aquele que terá a chance de ser dominado assim.
Mas são muitas as formas de dominar ou ser dominado e o universo BDSM é voltado para as mais requintadas delas, sejam físicas ou psicológicas. Embora não seja adepto das práticas, estas deixam a perceber a importância da relação de dominação na sexualidade humana pelo lugar que toma no dia a dia, seja nos sex-shop, seja na literatura (o arrebatamento de Cinquenta Tons de Cinza é uma ilustração perfeita do fenômeno), seja em jornais ou revistas e mesmo na televisão.
Dominador ou dominado, não tem grande importância, pois o que importa é que se desenvolva a relação de dominação entre os parceiros, e se observa, em graus maiores ou menores, o gosto em atuar em uma ou ambas as situações, tanto nos homens como nas mulheres. A esse respeito, me chamou muito a atenção a questão do sexo anal, pois de todos os relatos que li e ouvi, o prazer no coito anal foi relatado como intimamente ligado às sensações de dominação e de submissão.
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