A posição não é muito confortável, mas faz parte do jogo que ele mesmo
provocou. Claro, o jogo escapou do seu controle, mas conhecendo Séverine, ele
não se surpreende com a evolução da situação que ela tomou em mãos com
maestria. Resta que está amarrado e não pode nem usar suas mãos, nem mexer
muito, e nem escapar das mãos e das fantasias da moça que está demonstrando um
requinte brilhante no seu papel de dominadora.
- Estás bem chéri? – pergunta com fingida preocupação. E sem esperar
por uma resposta, se ajoelha ao lado dele, leva a taça na sua boca, coloca seus
lábios sobre os lábios dele, e solta o líquido aos poucos na sua boca. Pierre
bebe, surpreso e maravilhado com a imaginação fértil da moça.
Séverine repete a cena, quase esvaziando a taça e levanta o busto, ficando
ajoelhada, emborca a taça e derrama o restinho da bebida sobre o peito
dele. Ri, se debruça sobre ele e lambe o champagne
derramado, lambendo seu peito, seus mamilos, dando-lhes umas mordidas. Pierre
estremece quando ela aperta um pouco mais o mamilo entre os dentes, e logo o
esfrega com a língua, como ele costuma fazer nela. Dá uma última lambida,
descendo pela barriga e para chegando ao umbigo.
Ela se levanta, fica em pé, olha para ele e diz:
- Agora sim, tu és meu, e é assim que vou te possuir!
Dá-lhe as costas e vai levar a taça na mesa. Lá, para e começa a olhar
os brinquedos novamente, como se procurasse entender como usá-los. Após um
instante, fecha o pano em que Pierre os trouxe e pega o conjunto, o leva até a
cama e o deixa no chão, ao lado.
Pierre é dela. Ela o amarrou e está indefeso, entregue ao seu prazer e
sua fantasia. É o que ele havia pedido e pelo qual ia se empenhar.
- Possua-me! – dissera ele.
E está pensando que nunca imaginou possuir um homem. Mas a ideia a
deixa muito excitada, e assim começa a brincar com ele, sentindo o prazer da
dominação.
Séverine o acaricia, beija, mordisca, buscando entrosar-se no papel
que pretende assumir, buscando inventar o que precisa fazer para ser a mulher
fatal, dominadora, que irá possuir um homem, fazer dele um objeto sexual...
Está aprendendo seu papel ao mesmo tempo em que atua, mas as ideias chegam às
pressas em sua mente e consegue fazê-lo gemer e se contorcer, além de já ter
provocado nele uma bela ereção que ela olha sem dissimulação com um prazer bem
real. Suas carícias, percorrendo todo seu corpo, se fazem mais precisas, mais
localizadas, centrando-se nos seus lábios, que acaricia com os dedos, os seios
e a barriga, que ela morde, lambe e beija, conforme lhe apraz, e o sexo que
adula com carícias da mão, lhe acariciando os testículos e o interior das coxas
que ele abre de curtição. Séverine sente um prazer muito peculiar nesta
carícia. Está deslumbrada com o sexo ereto de Pierre. Morre de vontade de
empunhar esse membro grosso e rijo e mexer com ele, tocá-lo, lambê-lo,
chupá-lo, mordê-lo... e enfiá-lo nela!
Mas antes disso, precisa enlouquecê-lo.
*
* *
Debruçada por cima da cama, ainda vestida do robe e o sapato, as
pernas dobradas com os pés para cima, numa posição bastante atrevida para
atrair o olhar de Pierre e enchê-lo de desejo, Séverine olha para o chão ao
lado da cama onde deixou os brinquedos, e escolhe o pênis vibrador. Pega um
preservativo, com o qual cobre o falo, devagar, e o besunta de
lubrificante, enquanto Pierre a observa, deitado e nu, tornador simples objeto sexual.
Sé olha para ele, sorri, vem colar sua boca na boca dele e o beija
fervorosamente. Encerrando o beijo com uma mordida no seu lábio, ela passa um
braço por cima do seu corpo, deitando o busto na sua barriga, dando-lhe as
costas, e começa a lhe acariciar o sexo, sobre o qual ela deita sua boca. Com a
outra mão segurando o brinquedo, ela procura seu ânus e, enquanto o chupa com
um delicioso refinamento e um prazer notório, procura enfiar nele o vibrador.
- Vai devagar passarinho – diz Pierre num sussurro, já ofegante.
Ela reduz um pouco sua pressão, mas sem pará-la, e, repentinamente,
sente o vibrador aprofundar-se devagar, enquanto o sexo dele cresce e endurece
na sua boca.
Incrivelmente, Sé se sente possuindo-o!
E, de súbito, ela percebe o sentido amplo da palavra ‘possuir’, entendendo,
ao mesmo tempo, que nas relações de macho e fêmea, homem e mulher, somente o
homem tem a condição de possuir, através do seu falo, enquanto a mulher, por
natureza, apenas pode ser possuída. Entende o símbolo fálico da espada com a
qual você domina, submete, se apossa, em guerreiro vencedor. Porém, naquele
momento, é ela que está possuindo o homem que se entregou a ela, e sente-se
plena e profundamente mulher por poder deleitar-se dessa dominação, como se
fosse ela uma Amazona, uma dessas mulheres guerreiras e dominadoras.
Durante alguns instantes, Séverine explora essa arte da dominação. Sem
parar de reverenciar o pênis ereto que a fascina, lambendo e chupando-o com
ardência e deleitação, ela possui Pierre com esmero, fazendo-o gemer e se
contorcer, sentindo-o rendido, vencido, totalmente entregue a suas carícias,
como fizera dela pouco antes. Alterna a penetração, com um movimento de vai e
vem dominador, e a excitação com as vibrações que ela comanda por instantes. O
sexo dele está imenso na sua boca, o que a enche de satisfação.
*
* *
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