- Tira a roupa!
A frase surge como o estalo de um chicote, embora Pierre não tivesse
elevado a voz.
Séverine arregala os olhos, fitando Pierre que a olha, as mãos nos
bolsos da calça, com um ar debochado e um leve sorriso no canto da boca, e fica
se perguntando se estaria brincando.
- Tira a roupa! – repete ele com o mesmo tom doce e tranquilo, como
para dissipar sua dúvida. E acrescenta:
- Devagar...
Desta vez, Séverine tem certeza de que ele não está brincando e, por
um segundo, pensa em recusar-se. O que iria fazer se ela não quisesse? As
imagens desfilam na sua mente com a velocidade da luz. De repente, ela se dá
conta que está experimentando a mesma sensação que naquela famosa aula em que
ele lhe pediu para acariciar-se na sua frente.
- Apenas obedeça, passarinho! - fala ele, como se lesse seus
pensamentos.
A voz de Pierre é tão suave quanto imponente. Ela sente um frio
percorrer suas costas... Sua luta acabou. Sente-se vulnerável, vencida, já
possuída pelo olhar dele que não a deixa um segundo sequer e põe a mão no
primeiro botão da blusa, como ordenou.
E é isso mesmo, é uma ordem, embora formulada com doçura; uma ordem à
qual ela deve obedecer e que lhe desperta, ao mesmo tempo, a vontade de se
rebelar e uma excitação sútil ao se sentir submissa. E a vontade de se submeter
passa a dominá-la, a possui-la, e ela se rende a essa força oculta que a
cativa. Além disso, a ordem vem ao encontro do seu gosto pelo exibicionismo que
Pierre lhe fez descobrir naquela aula. O pensamento desperta mais ainda sua
excitação e Séverine sente seus seios endurecer.
Pierre a observa, percebendo sua excitação nas bochechas corando. Sorri, satisfeito de ver
que acertara sua reação. Desde o primeiro encontro sexual que tiveram, ele
percebeu nela esse gosto pela submissão, pela humilhação até. De forma leve,
pois não é um incondicional do BDSM, ele gosta dessa troca dominante/dominado
entre os parceiros e sabe que, pelo próprio fato de apreciar a submissão, ela
irá gostar de dominar também, como ele mesmo tem sua queda pela submissão.
A blusa já desabotoada, Séverine está preste a tirá-la:
- Não! – diz ele - Ainda não. O sutiã primeiro!
Pierre continua ordenando e Sé, obediente, desamarra o sutiã,
tirando-o por baixo da blusa aberta. Pierre se encanta de vê-la sem sutiã. Olhar seus seios pequenos apontarem livremente sob o tecido leve da blusa lhe causa uma
onda intensa de calor que lhe percorre o corpo e o deixa febril.
- A saia!
De novo, a voz imperativa e cálida lhe impõe seus atos e Séverine
começa a sentir prazer em obedecer. É como numa hipnose em que você é dominado
pela voz do hipnotizador. Ela enrubesce, mas dócil, desamarra a saia e a deixa
cair.
Pierre olha a calcinha miudinha que ela veste, como fascinado
pela pequenez do triângulo de tecido, pelos lacinhos amarrados nos lados, pela
renda fina que ornamenta a peça, pela cor negra que contrasta com a brancura da
pele. Sempre com o mesmo tom doce e cortante ao mesmo tempo, e a mesma economia
de palavras ele prossegue dando ordens:
- Gira!
Sé levanta um pé após o outro, abandonando a saia no chão, e se vira,
totalmente submissa, sentindo-se envergonhada por se desnudar assim, em plena
luz do dia, diante desse homem vestido, porém cada vez mais excitada pelo mesmo
motivo que a envergonha.
- Pode tirar a blusa.
A frase era convidativa, mas o tom não lhe deixa alternativa. Séverine
se sente mais constrangida ainda por ter de desnudar assim seus seios e é tomada
por uma vontade de sumir, de sair correndo. Ao mesmo tempo, uma sensação
estranha toma conta dela, da sua barriga, do seu corpo: o tesão! Sente seus mamilos ficarem grossos e tesos, e ela adora essa sensação. Um ombro...
o segundo ombro... segura um instante a blusa com os braços, ainda lhe cobrindo
a bunda, e a deixa cair.
*
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