quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Possessão (1)


- Tira a roupa!
A frase surge como o estalo de um chicote, embora Pierre não tivesse elevado a voz.
Séverine arregala os olhos, fitando Pierre que a olha, as mãos nos bolsos da calça, com um ar debochado e um leve sorriso no canto da boca, e fica se perguntando se estaria brincando.
- Tira a roupa! – repete ele com o mesmo tom doce e tranquilo, como para dissipar sua dúvida. E acrescenta:
- Devagar...
Desta vez, Séverine tem certeza de que ele não está brincando e, por um segundo, pensa em recusar-se. O que iria fazer se ela não quisesse? As imagens desfilam na sua mente com a velocidade da luz. De repente, ela se dá conta que está experimentando a mesma sensação que naquela famosa aula em que ele lhe pediu para acariciar-se na sua frente.
- Apenas obedeça, passarinho! - fala ele, como se lesse seus pensamentos.
A voz de Pierre é tão suave quanto imponente. Ela sente um frio percorrer suas costas... Sua luta acabou. Sente-se vulnerável, vencida, já possuída pelo olhar dele que não a deixa um segundo sequer e põe a mão no primeiro botão da blusa, como ordenou.
E é isso mesmo, é uma ordem, embora formulada com doçura; uma ordem à qual ela deve obedecer e que lhe desperta, ao mesmo tempo, a vontade de se rebelar e uma excitação sútil ao se sentir submissa. E a vontade de se submeter passa a dominá-la, a possui-la, e ela se rende a essa força oculta que a cativa. Além disso, a ordem vem ao encontro do seu gosto pelo exibicionismo que Pierre lhe fez descobrir naquela aula. O pensamento desperta mais ainda sua excitação e Séverine sente seus seios endurecer.
Pierre a observa, percebendo sua excitação nas bochechas corando. Sorri, satisfeito de ver que acertara sua reação. Desde o primeiro encontro sexual que tiveram, ele percebeu nela esse gosto pela submissão, pela humilhação até. De forma leve, pois não é um incondicional do BDSM, ele gosta dessa troca dominante/dominado entre os parceiros e sabe que, pelo próprio fato de apreciar a submissão, ela irá gostar de dominar também, como ele mesmo tem sua queda pela submissão.
A blusa já desabotoada, Séverine está preste a tirá-la:
- Não! – diz ele - Ainda não. O sutiã primeiro!
Pierre continua ordenando e Sé, obediente, desamarra o sutiã, tirando-o por baixo da blusa aberta. Pierre se encanta de vê-la sem sutiã. Olhar seus seios pequenos apontarem livremente sob o tecido leve da blusa lhe causa uma onda intensa de calor que lhe percorre o corpo e o deixa febril.
- A saia!
De novo, a voz imperativa e cálida lhe impõe seus atos e Séverine começa a sentir prazer em obedecer. É como numa hipnose em que você é dominado pela voz do hipnotizador. Ela enrubesce, mas dócil, desamarra a saia e a deixa cair.
Pierre olha a calcinha miudinha que ela veste, como fascinado pela pequenez do triângulo de tecido, pelos lacinhos amarrados nos lados, pela renda fina que ornamenta a peça, pela cor negra que contrasta com a brancura da pele. Sempre com o mesmo tom doce e cortante ao mesmo tempo, e a mesma economia de palavras ele prossegue dando ordens:
- Gira!
Sé levanta um pé após o outro, abandonando a saia no chão, e se vira, totalmente submissa, sentindo-se envergonhada por se desnudar assim, em plena luz do dia, diante desse homem vestido, porém cada vez mais excitada pelo mesmo motivo que a envergonha.
- Pode tirar a blusa.
A frase era convidativa, mas o tom não lhe deixa alternativa. Séverine se sente mais constrangida ainda por ter de desnudar assim seus seios e é tomada por uma vontade de sumir, de sair correndo. Ao mesmo tempo, uma sensação estranha toma conta dela, da sua barriga, do seu corpo: o tesão! Sente seus mamilos ficarem grossos e tesos, e ela adora essa sensação. Um ombro... o segundo ombro... segura um instante a blusa com os braços, ainda lhe cobrindo a bunda, e a deixa cair.
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