Escrever é uma paixão, é uma expressão da arte de construir pensamentos com as palavras...
domingo, 9 de dezembro de 2012
Prêmio literário
Acredite se quiser, mas é através da escrita de contos eróticos que conquistei meu primeiro prêmio literário!
Tempos atrás, minhas pesquisas sobre a sexualidade me levaram a querer relatar as fantasias sexuais que ouvia e até, em certos casos, compartilhava, e comecei a escrevê-las. Um dia, conversando com a mais assídua das minhas correspondentes, veio a ideia de transformar esses relatos em contos e, sob o estímulo da minha musa, comecei a escrever e colocar esses relatos em histórias. Isso se deu através da criação de dois personagens que passaram a viver situações fantasiosas revelando sua sexualidade.
Publiquei um trecho do primeiro conto em posts anteriores: A revelação (1) e (2).
Foi em julho, me parece, que, um belo dia, minha musa me avisou de um concurso cultural organizado pela revista Marie-Claire.
Achei muito desafiante e meio fora de alcance, mas por que não tentar?
Tratava-se de escrever um conto pondo em cena Christian Grey e Anastasia Steele, os personagens da trilogia famosa Cinquenta Tons de Cinza, numa situação erótica no estilo do livro.
Enquanto tradutor, já era acostumado a escrever respeitando o estilo do autor; portanto, essa parte não era a mais difícil. O que me preocupava é que, até o momento, desconhecia totalmente o livro em questão, apesar da fama internacional, e a Marie-Claire só disponibilizava uns trechinhos da obra como referência.
Casualmente, estava escrevendo um conto que encenava a relação de dominação, e achei que, mediante alguns ajustes óbvios, parte dele poderia servir de trama ao meu conto. E foi assim que ingressei no concurso cultural "Pornô Pop" da Marie-Claire.
Na verdade, não "ganhei" de fato o concurso, pois meu conto foi selecionado em segundo lugar, mas o reconhecimento que foi para mim essa seleção me soou como uma imensa vitória e foi assim que redobrei de esforços para seguir escrevendo mais contos.
Publicarei aqui a versão minha desse conto, bastante diferente - apesar de próxima - do conto publicado pela Marie-Claire que você pode ler no endereço seguinte: Conto "A Casa de Praia"
Boa leitura e volte aqui para deixar sua opinião.
Você teria selecionado esse conto?
(Que pergunta perigosa!! rs)
sábado, 1 de dezembro de 2012
Do casamento à sexualidade (3)
Mas por que essa fixação sobre a sexualidade afinal?
Simplesmente porque a emancipação da sexualidade é um processo bem mais
amplo que abrange o casamento enquanto instituição, mas que vá muito além,
começa bem antes dele e, principalmente, é totalmente independente.
Será necessário apontar pela multiplicação exponencial do
assunto 'sexo' na imprensa e na televisão, em que não passa um dia sem que
apareça algum assunto relacionado à sexualidade?
Mas não é só. A sexualidade é abordada também de forma
incisiva na literatura erótica, empurrada pela grande mídia, bem como desabrocha
nas lojas, com uma moda muito "sexy", com a ressurreição da
"lingerie", sem falar da multiplicação dos sex-shop e mesmo de
produtos muito mais "aceitos" como camisinhas com todos os sabores e
requintes.
Além disso, nessas considerações, não estou falando apenas do
Brasil que, apesar de incipiente em certos aspectos, não escapa dessa dinâmica.
A tendência é a mesma em todos os países ocidentais, nos Estados-Unidos ou
na Europa, ou mesmo nos vizinhos sul-americanos.
Enfim, eis a realidade atual: o sexo sai das trevas onde há
sido relegado durante séculos para ocupar (novamente) parte das preocupações
(ou das ocupações) das pessoas. No mínimo, a sexualidade está reencontrando seu
lugar no centro da psicologia humana, mais de 100 anos depois que Freud apontou
sua repressão como fonte de distúrbios mentais e emocionais.
Pois na verdade é disso que se trata, de uma repressão que
perdura desde que a religião baniu a sexualidade da "normalidade" do
comportamento humano. Desde o Antigo Testamento, a sexualidade começa a ser
"regulamentada", e se o prazer não é completamente ignorado, certos
comportamentos são condenados. Além do fato de que, não sei por que motivação inicial,
talvez a vontade de assentar a hegemonia masculina no planeta, os mentores da
Igreja fizeram da mulher a serva e o objeto do homem.
Entende-se que, naquela época, tenha-se tido em mente a
questão da transmissão de doenças venéreas e encontrado uma alternativa ao contágio
limitando a sexualidade ao casal. O que é notável, no entanto, é que, desde
então, a mulher goza de direitos distintos dos do homem, ou seja, inferiores a
ele sempre.
O advento da Igreja católica veio sublimar e reforçar essas
proibições, relegando a copulação a mera função reprodutiva e o prazer sexual a
objeto de danação, enquanto a mulher passou de inferior e impura a maléfica e
demoníaca, milhares delas tendo sido o alvo da Inquisição na Idade Média.
Quem iria se erguer contra a força da Igreja em prol da
sexualidade em tal contexto?
Ninguém se atreveu, claro. Podemos ser libertinos, mas não necessariamente loucos... E os séculos foram passando, enterrando a
sexualidade nas profundezas das mentes humanas até que ali fosse reencontrada por Freud e seus seguidores.
domingo, 25 de novembro de 2012
A revelação (2)
Séverine está transtornada com a
tempestade de sensações que ela mesma desencadeou ao lançar o tema da
sexualidade. Os pensamentos viravoltam na sua mente, mas ela não consegue se fixar
em nenhum pois uma avalanche de sensações tomou conta do seu corpo lhe roubando
a faculdade de raciocinar.
Enquanto busca apaziguar o vulcão que
explodiu dentro dela, Pierre prossegue na sua estocada impiedosa.
- E você não se sentiu satisfeita – complementa com
uma voz calma e suave que a golpeia novamente.
Foi como se levasse um tapa na cara e Séverine
demora um pouco para responder.
Aproveitando seu abalo, Pierre acrescenta:
- Desculpe-me as perguntas diretas e indiscretas,
mas você abriu um assunto que não se satisfaz com meias palavras ou falso
pudor, entende?
Está claro sim, límpido! Não havia nenhuma hipocrisia
em seu tom de voz, nem ironia ou sarcasmo, apenas um profundo senso de
sinceridade emanando da sua voz calma e composta.
- Não, não totalmente – responde finalmente. – Eu
tive a impressão de um prazer incompleto, ou melhor, de um prazer que, na
verdade, não entendi.
E continua:
- Em suma sim, é isso, eu fui insatisfeita – diz
baixando o olhar.
Sem lhe deixar tempo de se recuperar, Pierre a
golpeia de novo.
- O que faltou é o que sentes agora. Esse desejo
que habita teu corpo e devora tua alma, não é?
A frase lhe provoca o efeito de uma chicoteada e,
pior, aumenta mais ainda sua excitação! Sente-se desvendada, despida, exposta
e, ao mesmo tempo, febril, excitada, ansiosa, ardente, ávida, pronta para amar.
Cora e desvia os olhos, cruzando nervosamente os dedos, e balbucia, num
sussurro:
- Sim.
Pierre sorri docemente para ela, com um olhar que a
faz derreter de desejo.
- Eu sei, porque sinto o mesmo que você – retruca
ele.
Era uma loucura invadindo sua mente! Sente-se
vibrante, carinhosa, ardente. Cada palavra provoca nela um efeito incrivelmente
poderoso e Séverine se sente literalmente inundada de prazer, tanto quanto de
desejo.
- O que faltou nas tuas vivências sexuais foi
justamente a excitação da parte mais sensorial do teu corpo: teu cérebro.
Séverine está absorvendo, através das palavras, uma
descoberta tão evidente quanto fundamental e fica ouvindo, muda, olhando para
ele que prossegue.
- Costuma-se esquecer que é no cérebro que se
constrói o desejo e que a imaginação é uma poderosa ferramenta de prazer – diz
complementando seu raciocínio. – Os beijos, as carícias, os toques, a
penetração são, naturalmente, os principais elementos da relação sexual, mas a
excitação do imaginário é uma parte preliminar quase indispensável para a
realização plena e completa do ato sexual.
Enquanto Séverine, emudecida, mastiga
mentalmente as palavras reveladoras, Pierre conclui:
- Gosto muito de uma frase de um autor
africano: “O erotismo, é quando a imaginação faz amor com o corpo.” A meu ver, na sua simplicidade, esta é a melhor definição da incomparável beleza e da imensa complexidade da
sexualidade humana.
Séverine levanta os olhos para ele e
Pierre lê neles a chama da revelação que se acendeu na mente da moça e que está
caminhando pelos recantos mais íntimos da sua imaginação e das suas fantasias.
*
* *
sábado, 24 de novembro de 2012
A revelação (1)
- Pierre, me fale sobre sexo!
As bochechas de Séverine estão pegando fogo, mas
ela se sente aliviada de um peso ao lançar este tema quente que a perturba faz
tempo.
Pelo menos ela o via assim, quente, porque um
incêndio tomava conta do seu corpo quando seus pensamentos deslizavam para o
assunto. Ela já vivenciara algumas experiências sexuais, mas muito mais do que
respostas, eram perguntas que lhe apareciam através do que sentia, lia,
imaginava, ou mesmo, certamente, desejava.
Esse desejo, Pierre o percebeu como uma chicoteada,
despertando a sua própria excitação. Em um olhar, observa que a moça enrubesceu
de vergonha, certamente, mas também pelo calor do desejo que intumesce seus
seios e, de imediato, sente uma onda de tesão percorrer o próprio corpo.
- Você está me fazendo uma pergunta difícil
Séverine – consegue articular.
Ela imaginara a cena de maneira diferente. Pensou
que iria pegar sua mão e a puxaria suavemente para ele e que se beijariam
apaixonadamente. Que suas mãos iriam investir seu corpo, acariciar sua pele,
procurar seus seios e que eles se possuiriam aí mesmo, no chão, sem dizer uma
palavra. Mas não. Ele mantém sua postura, imperturbável, como se fosse tratar
de um novo tópico. Será que ele não a deseja?
- Delicada e importante – diz empurrando o livro de
lado – e embora nos afaste do nosso propósito, vamos falar sim desse assunto!
- Sexo é um assunto vasto, desde o aspecto
fisiológico até os aspectos psicológicos, há um mundo de coisas... A relação
sexual é uma função reprodutiva dos seres humanos, como é do animal, mas a
nossa psique nos permitiu conhecer o prazer em associação a essa função, e o
sexo é, portanto, tão complexo quanto é a nossa psicologia.
Faz uma pausa e pergunta, sem rodeios:
- Me diga, você já fez amor?
É sua vez de respirar profundamente. Ele não estava
lhe deixando escolha, e havia de revelar-se. Sente-se encurralada, mas ao mesmo
tempo, excitada. Sua pele está em chamas e o incêndio se espalha por todo seu
corpo, sobe para seu rosto, corre para suas mãos trêmulas, e desce ao longo das
pernas que cruza, tentando recuperar sua compostura. Sente com gosto seus seios
explodindo de desejo, do desejo de ser possuída.
- Sim, algumas vezes – diz simplesmente, após um
momento, conseguindo conter a emoção.
Está tão atraente que Pierre, pelo pensamento,
sente um impulso na sua direção. Mas se contém. Embora o momento fosse
adequado, este não é o lugar, e ele quer fazer-lhe provar algo diferente, outra
forma de prazer; um prazer que ele mesmo sentia e do qual gostava, e queria
compartilhá-lo com ela.
Fica observando-a, deliciando-se com o rubor de
suas bochechas, seus pequenos seios apontando sob o tecido colado em sua pele,
seus movimentos nervosos, sua respiração acelerada. Está se mostrando, se
oferecendo, manifestando seu desejo. Provavelmente sem ter plena consciência do
fato, seu corpo inteiro está gritando "Possua-me!" abandonando
qualquer pudor. Ele se deleita com o espetáculo provocante. É tão forte
e empolgante que sente seu sexo enrijecido de excitação, o que lhe proporciona
grande prazer. Ao vê-la ardendo de desejo, Pierre percebe que havia
chegado a hora de iniciar o jogo.
*
* *
domingo, 18 de novembro de 2012
Do casamento à sexualidade (2)
Com a evolução de nossas sociedades, e limitando-se às sociedades ocidentais embora o fenômeno seja observável em outras regiões e culturas sob a influência inegável da globalização de pensamentos e valores que acompanha a globalização econômica, podemos observar uma mudança radical na relação dos homens e das mulheres diante do casamento enquanto instituição indefectível e eterna que havia sido incutida pela tradição, logo a religião.
Os números falam por si só: no Brasil, o número de divórcios é 5 vezes maior em 2011 do que em 1984, primeiro ano em que foram registradas essas informações pelo IBGE. É interessante notar a aceleração brutal desse processo com um aumento de 200% de 2008 para cá.
No entanto, os casamentos e, notadamente, os recasamentos também estão em progressão, o que mostra que homens e mulheres não abrem mão de construir uma vida em comum. Entretanto, nota-se que a possibilidade de escolher seu parceiro, e trocá-lo se for o caso, passou a fazer parte dos costumes em nossa sociedade. E, por trás dessa realidade, transparece uma mudança de hábitos drástica na forma de buscar seus relacionamentos e de conduzi-los.
Basta observar o número de sites de relacionamentos que floriram na Internet esses últimos anos, com um número cada vez maior de usuários, manifestando uma mudança em que as pessoas procuram por um parceiro confrontando, em primeiro lugar, suas ideias, seus gostos e seus pontos de vista acerca das relações interpessoais, amorosas e, claro, sexuais.
Quem não já recebeu algum e-mail de propagando de algum desses sites?
E quem nunca entrou em algum deles para ver "o que se passa aí"?
Pois a minha curiosidade me levou a frequentar de forma assídua esses sites, muitos deles pelo menos, e em diversas línguas e culturas, na busca de entender as motivações das pessoas para se relacionarem, os anseios de cada um no relacionamento, as buscas e as fantasias que animam a mente humana. Ao cabo de vários anos de andanças internáuticas e muitas centenas de conversas, ficou muito claro que, na sociedade contemporânea, o anseio pela satisfação sexual se tornou um dos maiores motivos da dissolução dos casamentos e, por consequência, do descrédito na instituição casamenteira, bem como, ao mesmo tempo, um fator preponderante na promoção de novas uniões.
domingo, 4 de novembro de 2012
Fonte sagrada
Teus beijos são doces,
ousados e irreverentes,
lascivos e indecentes,
suculentos.
Desse suco bebo,
e encho minha alma,
sem medo, sem ideia,
apenas saboreando.
Eterna criança
piscas aí e cá,
faísca indomada,
fogo que nunca acaba.
Minha pele frágil
em ti se esfrega,
minha alma dócil
no teu toque vibra,
Meu corpo ágil
em ti se enrosca,
minha boca hábil
bebe, bebe e te chupa...
sábado, 20 de outubro de 2012
Do casamento à sexualidade
Levado nas nuvens por uns, desprezado por outros ou, por outro tanto, hábito cultural, o casamento não deixa de ser uma tradição para uma maioria dentre nós, humanos, e em todas as culturas existem cerimônias específicas para marcar a consagração da união entre duas (ou mais) pessoas. Digo "ou mais" porque nem todas as culturas são monogâmicas, claro.
No entanto, apesar dessa cultura casamenteira, a união das pessoas tende a ser questionada, cada dia mais.
Assistimos de fato à falência de grande parte dos casamentos que, ao cabo de alguns anos, não resistem à rotina do dia a dia, exista filhos ou não no meio, mesmo se, em muitos casos, a presença de filhos mantem, se não realmente o casamento em si, pelo menos as aparências.
Por que será?
E foi essa pergunta, e essa reflexão, que me levou à sexualidade como fator preponderante.
Claro, encurto muito a reflexão em si e vários outros fatores entram em jogo, como o fator cultural evolutivo que torna o indivíduo mais racionalista, a comunicação que transfigurou as relações interpessoais, a liberação sexual, o recuo das instituições religiosas, entre outros.
Mas voltando à sexualidade, não é sem motivo que a elegi como elemento-chave no processo de dessacralização do ritual do casamento. É simplesmente porque, apesar de por muito tempo vilipendiada e relegada à mera função reprodutora, ela me aparece como renascendo do obscurantismo para retomar seu lugar na sociedade dos humanos.
Com efeito, em nosso planeta Terra, o ser humano se distingue dos outros mamíferos - e dos demais primatas - pela faculdade de poder elaborar um raciocínio complexo e coerente, faculdade que o conduziu a construir nossa civilização ao longo dos milênios da sua existência e sua evolução.
No entanto, é essa mesma faculdade que o levou a transcender o ato sexual meramente reprodutivo para fazer dele um ato de prazer, descobrindo na nossa natureza humana zonas e formas de excitabilidade que nos permitam um relacionamento distinto do que a simples copulação voltada para a perpetuação da espécie.
E é a partir dessa constatação, cujas implicações levam bem longe na reflexão sobre muitos questionamentos atuais, que passei a me aprofundar sobre a multidão das percepções com as quais nos deparamos ao tocar do dedo a questão sexual que, por mais liberação que pareça existir, continua rodeada de tabus, de hipocrisia, de vergonha, de receios, de incompreensões e de proibições diante de uma sociedade censuradora, julgadora e intolerante.
terça-feira, 16 de outubro de 2012
Escrevendo...
Hoje é meu aniversário e, cultivando minha paixão pela escrita que, casualmente, veio solicitar minha mente, resolvi criar um blog como presente.
Escrevo poesia, escrevo artigos, escrevo sobre ecologia, sociedade, política, escrevo sobre meus pensamentos, minhas reflexões...
No entanto, meus escritos mais recentes foram reflexões sobre sexualidade que transformei em contos.
Apesar de ter publicado na net, em revistas ou apenas em listas de discussão muitas matérias, artigos e reflexões, até o momento esses contos ficaram guardados na intimidade do meu computador. Quero agora dar-lhes asas e colocá-los para voarem de mente em mente, de olhares em olhares, levando consigo as mensagens que neles coloquei, reflexões sobre sexualidade, sobre os nossos modos de vida.
Através deles, e de outros textos que estão por vir, espero suscitar reflexões e comentários que serão muito bem-vindos.
Boa leitura!
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