Mas por que essa fixação sobre a sexualidade afinal?
Simplesmente porque a emancipação da sexualidade é um processo bem mais
amplo que abrange o casamento enquanto instituição, mas que vá muito além,
começa bem antes dele e, principalmente, é totalmente independente.
Será necessário apontar pela multiplicação exponencial do
assunto 'sexo' na imprensa e na televisão, em que não passa um dia sem que
apareça algum assunto relacionado à sexualidade?
Mas não é só. A sexualidade é abordada também de forma
incisiva na literatura erótica, empurrada pela grande mídia, bem como desabrocha
nas lojas, com uma moda muito "sexy", com a ressurreição da
"lingerie", sem falar da multiplicação dos sex-shop e mesmo de
produtos muito mais "aceitos" como camisinhas com todos os sabores e
requintes.
Além disso, nessas considerações, não estou falando apenas do
Brasil que, apesar de incipiente em certos aspectos, não escapa dessa dinâmica.
A tendência é a mesma em todos os países ocidentais, nos Estados-Unidos ou
na Europa, ou mesmo nos vizinhos sul-americanos.
Enfim, eis a realidade atual: o sexo sai das trevas onde há
sido relegado durante séculos para ocupar (novamente) parte das preocupações
(ou das ocupações) das pessoas. No mínimo, a sexualidade está reencontrando seu
lugar no centro da psicologia humana, mais de 100 anos depois que Freud apontou
sua repressão como fonte de distúrbios mentais e emocionais.
Pois na verdade é disso que se trata, de uma repressão que
perdura desde que a religião baniu a sexualidade da "normalidade" do
comportamento humano. Desde o Antigo Testamento, a sexualidade começa a ser
"regulamentada", e se o prazer não é completamente ignorado, certos
comportamentos são condenados. Além do fato de que, não sei por que motivação inicial,
talvez a vontade de assentar a hegemonia masculina no planeta, os mentores da
Igreja fizeram da mulher a serva e o objeto do homem.
Entende-se que, naquela época, tenha-se tido em mente a
questão da transmissão de doenças venéreas e encontrado uma alternativa ao contágio
limitando a sexualidade ao casal. O que é notável, no entanto, é que, desde
então, a mulher goza de direitos distintos dos do homem, ou seja, inferiores a
ele sempre.
O advento da Igreja católica veio sublimar e reforçar essas
proibições, relegando a copulação a mera função reprodutiva e o prazer sexual a
objeto de danação, enquanto a mulher passou de inferior e impura a maléfica e
demoníaca, milhares delas tendo sido o alvo da Inquisição na Idade Média.
Quem iria se erguer contra a força da Igreja em prol da
sexualidade em tal contexto?
Ninguém se atreveu, claro. Podemos ser libertinos, mas não necessariamente loucos... E os séculos foram passando, enterrando a
sexualidade nas profundezas das mentes humanas até que ali fosse reencontrada por Freud e seus seguidores.
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