sábado, 1 de dezembro de 2012

Do casamento à sexualidade (3)


Mas por que essa fixação sobre a sexualidade afinal?

Simplesmente porque a emancipação da sexualidade é um processo bem mais amplo que abrange o casamento enquanto instituição, mas que vá muito além, começa bem antes dele e, principalmente, é totalmente independente.

Será necessário apontar pela multiplicação exponencial do assunto 'sexo' na imprensa e na televisão, em que não passa um dia sem que apareça algum assunto relacionado à sexualidade?
Mas não é só. A sexualidade é abordada também de forma incisiva na literatura erótica, empurrada pela grande mídia, bem como desabrocha nas lojas, com uma moda muito "sexy", com a ressurreição da "lingerie", sem falar da multiplicação dos sex-shop e mesmo de produtos muito mais "aceitos" como camisinhas com todos os sabores e requintes.
Além disso, nessas considerações, não estou falando apenas do Brasil que, apesar de incipiente em certos aspectos, não escapa dessa dinâmica. A tendência é a mesma em todos os países ocidentais, nos Estados-Unidos ou na Europa, ou mesmo nos vizinhos sul-americanos.

Enfim, eis a realidade atual: o sexo sai das trevas onde há sido relegado durante séculos para ocupar (novamente) parte das preocupações (ou das ocupações) das pessoas. No mínimo, a sexualidade está reencontrando seu lugar no centro da psicologia humana, mais de 100 anos depois que Freud apontou sua repressão como fonte de distúrbios mentais e emocionais.

Pois na verdade é disso que se trata, de uma repressão que perdura desde que a religião baniu a sexualidade da "normalidade" do comportamento humano. Desde o Antigo Testamento, a sexualidade começa a ser "regulamentada", e se o prazer não é completamente ignorado, certos comportamentos são condenados. Além do fato de que, não sei por que motivação inicial, talvez a vontade de assentar a hegemonia masculina no planeta, os mentores da Igreja fizeram da mulher a serva e o objeto do homem.
Entende-se que, naquela época, tenha-se tido em mente a questão da transmissão de doenças venéreas e encontrado uma alternativa ao contágio limitando a sexualidade ao casal. O que é notável, no entanto, é que, desde então, a mulher goza de direitos distintos dos do homem, ou seja, inferiores a ele sempre. 
O advento da Igreja católica veio sublimar e reforçar essas proibições, relegando a copulação a mera função reprodutiva e o prazer sexual a objeto de danação, enquanto a mulher passou de inferior e impura a maléfica e demoníaca, milhares delas tendo sido o alvo da Inquisição na Idade Média.

Quem iria se erguer contra a força da Igreja em prol da sexualidade em tal contexto?
Ninguém se atreveu, claro. Podemos ser libertinos, mas não necessariamente loucos... E os séculos foram passando, enterrando a sexualidade nas profundezas das mentes humanas até que ali fosse reencontrada por Freud e seus seguidores.

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