- Pierre, me fale sobre sexo!
As bochechas de Séverine estão pegando fogo, mas
ela se sente aliviada de um peso ao lançar este tema quente que a perturba faz
tempo.
Pelo menos ela o via assim, quente, porque um
incêndio tomava conta do seu corpo quando seus pensamentos deslizavam para o
assunto. Ela já vivenciara algumas experiências sexuais, mas muito mais do que
respostas, eram perguntas que lhe apareciam através do que sentia, lia,
imaginava, ou mesmo, certamente, desejava.
Esse desejo, Pierre o percebeu como uma chicoteada,
despertando a sua própria excitação. Em um olhar, observa que a moça enrubesceu
de vergonha, certamente, mas também pelo calor do desejo que intumesce seus
seios e, de imediato, sente uma onda de tesão percorrer o próprio corpo.
- Você está me fazendo uma pergunta difícil
Séverine – consegue articular.
Ela imaginara a cena de maneira diferente. Pensou
que iria pegar sua mão e a puxaria suavemente para ele e que se beijariam
apaixonadamente. Que suas mãos iriam investir seu corpo, acariciar sua pele,
procurar seus seios e que eles se possuiriam aí mesmo, no chão, sem dizer uma
palavra. Mas não. Ele mantém sua postura, imperturbável, como se fosse tratar
de um novo tópico. Será que ele não a deseja?
- Delicada e importante – diz empurrando o livro de
lado – e embora nos afaste do nosso propósito, vamos falar sim desse assunto!
- Sexo é um assunto vasto, desde o aspecto
fisiológico até os aspectos psicológicos, há um mundo de coisas... A relação
sexual é uma função reprodutiva dos seres humanos, como é do animal, mas a
nossa psique nos permitiu conhecer o prazer em associação a essa função, e o
sexo é, portanto, tão complexo quanto é a nossa psicologia.
Faz uma pausa e pergunta, sem rodeios:
- Me diga, você já fez amor?
É sua vez de respirar profundamente. Ele não estava
lhe deixando escolha, e havia de revelar-se. Sente-se encurralada, mas ao mesmo
tempo, excitada. Sua pele está em chamas e o incêndio se espalha por todo seu
corpo, sobe para seu rosto, corre para suas mãos trêmulas, e desce ao longo das
pernas que cruza, tentando recuperar sua compostura. Sente com gosto seus seios
explodindo de desejo, do desejo de ser possuída.
- Sim, algumas vezes – diz simplesmente, após um
momento, conseguindo conter a emoção.
Está tão atraente que Pierre, pelo pensamento,
sente um impulso na sua direção. Mas se contém. Embora o momento fosse
adequado, este não é o lugar, e ele quer fazer-lhe provar algo diferente, outra
forma de prazer; um prazer que ele mesmo sentia e do qual gostava, e queria
compartilhá-lo com ela.
Fica observando-a, deliciando-se com o rubor de
suas bochechas, seus pequenos seios apontando sob o tecido colado em sua pele,
seus movimentos nervosos, sua respiração acelerada. Está se mostrando, se
oferecendo, manifestando seu desejo. Provavelmente sem ter plena consciência do
fato, seu corpo inteiro está gritando "Possua-me!" abandonando
qualquer pudor. Ele se deleita com o espetáculo provocante. É tão forte
e empolgante que sente seu sexo enrijecido de excitação, o que lhe proporciona
grande prazer. Ao vê-la ardendo de desejo, Pierre percebe que havia
chegado a hora de iniciar o jogo.
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