sábado, 24 de novembro de 2012

A revelação (1)


- Pierre, me fale sobre sexo! 
As bochechas de Séverine estão pegando fogo, mas ela se sente aliviada de um peso ao lançar este tema quente que a perturba faz tempo.
Pelo menos ela o via assim, quente, porque um incêndio tomava conta do seu corpo quando seus pensamentos deslizavam para o assunto. Ela já vivenciara algumas experiências sexuais, mas muito mais do que respostas, eram perguntas que lhe apareciam através do que sentia, lia, imaginava, ou mesmo, certamente, desejava.
Esse desejo, Pierre o percebeu como uma chicoteada, despertando a sua própria excitação. Em um olhar, observa que a moça enrubesceu de vergonha, certamente, mas também pelo calor do desejo que intumesce seus seios e, de imediato, sente uma onda de tesão percorrer o próprio corpo.
- Você está me fazendo uma pergunta difícil Séverine – consegue articular.
Ela imaginara a cena de maneira diferente. Pensou que iria pegar sua mão e a puxaria suavemente para ele e que se beijariam apaixonadamente. Que suas mãos iriam investir seu corpo, acariciar sua pele, procurar seus seios e que eles se possuiriam aí mesmo, no chão, sem dizer uma palavra. Mas não. Ele mantém sua postura, imperturbável, como se fosse tratar de um novo tópico. Será que ele não a deseja?
- Delicada e importante – diz empurrando o livro de lado – e embora nos afaste do nosso propósito, vamos falar sim desse assunto!
- Sexo é um assunto vasto, desde o aspecto fisiológico até os aspectos psicológicos, há um mundo de coisas... A relação sexual é uma função reprodutiva dos seres humanos, como é do animal, mas a nossa psique nos permitiu conhecer o prazer em associação a essa função, e o sexo é, portanto, tão complexo quanto é a nossa psicologia.
Faz uma pausa e pergunta, sem rodeios:
- Me diga, você já fez amor?
É sua vez de respirar profundamente. Ele não estava lhe deixando escolha, e havia de revelar-se. Sente-se encurralada, mas ao mesmo tempo, excitada. Sua pele está em chamas e o incêndio se espalha por todo seu corpo, sobe para seu rosto, corre para suas mãos trêmulas, e desce ao longo das pernas que cruza, tentando recuperar sua compostura. Sente com gosto seus seios explodindo de desejo, do desejo de ser possuída.
- Sim, algumas vezes – diz simplesmente, após um momento, conseguindo conter a emoção.
Está tão atraente que Pierre, pelo pensamento, sente um impulso na sua direção. Mas se contém. Embora o momento fosse adequado, este não é o lugar, e ele quer fazer-lhe provar algo diferente, outra forma de prazer; um prazer que ele mesmo sentia e do qual gostava, e queria compartilhá-lo com ela.
Fica observando-a, deliciando-se com o rubor de suas bochechas, seus pequenos seios apontando sob o tecido colado em sua pele, seus movimentos nervosos, sua respiração acelerada. Está se mostrando, se oferecendo, manifestando seu desejo. Provavelmente sem ter plena consciência do fato, seu corpo inteiro está gritando "Possua-me!" abandonando qualquer pudor. Ele se deleita com o espetáculo provocante. É tão forte e empolgante que sente seu sexo enrijecido de excitação, o que lhe proporciona grande prazer. Ao vê-la ardendo de desejo, Pierre percebe que havia chegado a hora de iniciar o jogo.
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